sábado, 8 de novembro de 2014

Extinto por perder sede, fã-clube de Senna prepara venda de acervo

Na temporada em que a morte de Ayrton Senna completou 20 anos, o principal fã-clube do tricampeão mundial foi extinto. A pedido de Viviane, irmã do piloto, o grupo precisou devolver o imóvel que usava como sede no bairro paulistano de Santana, o que ocasionou o fim da organização.
Admirador do piloto, o advogado Adilson Almeida fundou a Torcida Ayrton Senna (TAS) em 1988. Quatro anos depois, o fã-clube passou a ocupar um imóvel cedido pela família no bairro da Vila Maria. Em 2013, ainda em acordo com os Senna, o grupo mudou para Santana, de onde foi obrigado a sair no último mês de agosto.
"Ficamos extremamente chateados. Não vi razão para isso. Segundo a Viviane, a casa seria ocupada pelo escritório do irmão . Três meses depois, o imóvel continua sem uso. Ainda pedi para ficar até dezembro, mas ela recusou. Estou há 26 anos à frente da TAS e ela me pede para sair em um mês? Foi muito deselegante", disse Adilson, ex-presidente do grupo.
A Torcida Ayrton Senna ainda consta na sessão "fã-clubes" do site oficial dedicado ao tricampeão mundial, com Adilson Almeida como responsável. O grupo criado há 26 anos permanece ativo nas redes sociais, mas na prática está extinto desde que ficou desalojado.
A assessoria de imprensa do Instituto Ayrton Senna, presidido por Viviane, informou que prefere não se manifestar sobre o assunto. A relação entre Adilson Almeida e a irmã do piloto acabou de maneira pouco amistosa.
"O Sr. Milton, pai do Ayrton, disse que poderíamos permanecer no imóvel pelo que tempo que quiséssemos, mas depois de uma certa idade, quem manda são os filhos. Tenho muito respeito pelos pais dele, mas pela Viviane... Acho que está meio perdida. Esse tipo de atitude não contribui em nada para perpetuar a imagem do irmão", disse.
Ao longo de 26 anos, a TAS reuniu um vasto acervo sobre o tricampeão mundial de Fórmula 1. A entidade criada por Adilson Almeida recebia visitantes, especialmente na semana do Grande Prêmio do Brasil, e organizava exposições dedicadas ao piloto - em 2014, o fã-clube realizou uma mostra no Palácio da Justiça.
O acervo da TAS conta com mais de 200 peças que remetem a Ayrton Senna. Além de uma vasta coleção de quadros, há três capacetes usados pelo ídolo, camisetas, óculos e uma jaqueta comemorativa. Com a dissolução do fã-clube, Adilson Almeida se prepara para vender a memorabília.
O advogado ainda não sabe exatamente como comercializar os itens do acervo da antiga TAS. Ele estima o material em R$ 100 mil e espera vender tudo para um mesmo comprador. Outra possibilidade é negociar por lotes através da Internet.
"A casa que aluguei não tem condições de funcionar como sede do fã-clube. Como nunca cobramos mensalidade, simplesmente não contamos com recursos para conseguir um novo local. A situação ficou insustentável e tivemos que extinguir a TAS", lamentou o advogado, com a mesa enfeitada pela clássica escultura que simboliza a Justiça.
Há 20 anos, o tricampeão mundial disputou o Grande Prêmio do Brasil pela última vez. Em Interlagos, os fãs desfraldaram uma enorme bandeira, estampada com o personagem Senninha e a frase "Acelera Ayrton!" acima da sigla "TAS". Neste domingo, magoado com Viviane Senna, o criador da torcida verá a corrida pela televisão.
Fonte: www.espn.com.br em 05.11.2014