segunda-feira, 24 de setembro de 2012

CENTRO É A REGIÃO QUE REÚNE O MAIOR NÚMERO DE BIBLIOTECAS

 RIO - Apesar da agitação e do barulho das ruas, o Centro do Rio ainda tem refúgios de tranquilidade que convidam à leitura. Junto com a Biblioteca Nacional e o Real Gabinete Português — que se destacam tanto pela riqueza do acervo, quanto pela beleza arquitetônica —, o Centro é a região da cidade que reúne o maior número de bibliotecas. A lista, com mais de 20, inclui desde as que oferecem títulos diversificados, como a Biblioteca Euclides da Cunha, localizada no Palácio Gustavo Capanema, até estantes mais especializadas, como a Biblioteca Paulo Santos, no Paço Imperial, repleta de títulos de arquitetura do Brasil e de Portugal. No próximo dia 12, o roteiro da boa leitura na área central volta a contar com um antigo endereço: a biblioteca do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) reabrirá as portas depois de passar dois anos em obras.Com 140 mil volumes, o espaço do CCBB está sendo preparado para abrigar um conjunto de livros de arte, literatura, filosofia, economia e catálogos de exposição de arte. A reforma de R$3,5 milhões modernizou as salas, trocou móveis e deixou o andar mais claro. Um pouco da história da antiga biblioteca, fundada 1931 (originalmente voltada para assuntos mais técnicos, de interesse dos funcionários do Banco do Brasil), foi preservada na Sala de Coleções Especiais e Obras Rara, que manteve o mobiliário de época. Lá, estão sendo recolocados 4 mil exemplares de títulos considerados raros, como a coleção dos livros publicados pela Sociedade dos 100 Bibliófilos, a partir da década de 1940, de autores brasileiros como Manuel Bandeira, Jorge Amado e Machado de Assis, com ilustrações de Carybé, Portinari, Di Cavalcanti e Djanira.

— Enquanto no restante da biblioteca o público tem livro acesso às estantes, aqui nesta sala a consulta terá a supervisão de bibliotecários — explica a bibliotecária Cecília Bosco.

Após a reforma, foi a sala infantojuvenil foi ampliada e recebeu nova decoração, mais colorida. A garotada poderá escolher entre 4 mil títulos, que inclui autores consagrados da literatura brasileira, como Monteiro Lobato, até sucessos recentes de venda entre os adolescente, como a escritora Thalita Rebouças. Ao lado, separada por vidros, uma sala com computadores tem games educativos. Na biblioteca do CCBB, o público pode pesquisar, ler ou consultar as publicações, mas os empréstimos só são liberados a funcionários do BB ou para outras bibliotecas.

Outro recanto da boa leitura no Centro é a Biblioteca Euclides da Cunha, localizada no Palácio Gustavo Capanema, clássico da arquitetura modernista projetado por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, na Rua da Imprensa. Fundada na década 30 como Biblioteca do Ministério da Educação e Saúde, ela passou a ocupar o 4º andar do prédio, quando o edifício foi inaugurado, na década de 40, e ainda preserva móveis e luminárias daquela época. Hoje, ela é ligada à Biblioteca Nacional, de onde recebe todos os livros duplicados da instituição. As estantes têm títulos de interesses variados: literatura, ciências, livros didáticos, filosofia, além de coleção especiais, como a de obras de Euclides da Cunha. É comum ver jovens com tablets, e notebooks, fazendo pesquisas no salão com vista para o jardim de Roberto Burle Marx. Com acervo de cerca de 100 mil títulos, a biblioteca recebe 8 mil visitantes por ano. E é uma das poucas da região que faz empréstimos.

— Os livros atraem, mas muita gente vem aqui em busca de silêncio — diz Tânia Maria Guimarães de Motta, coordenadora substituta da biblioteca.

Obras raras dos séculos XVI e XVIII

Na Praça Quinze, a biblioteca do Paço Imperial (Biblioteca Paulo Santos) é outra opção de leitura em um prédio histórico. Segundo o diretor do Paço, Lauro Cavalcanti, a biblioteca tem cerca de 9 mil volumes e é especializada em arquitetura do Brasil e de Portugal, entre elas algumas obras raras dos séculos XVI a XVIII. Em média, 90 pessoas por mês vão até lá fazer alguma consulta. Empréstimos, só entre bibliotecas:

— Ela foi doada para ser aberta no Paço pelo Professor Paulo Santos, criador e titular da cadeira Arquitetura do Brasil na FauUfrJ. Ele foi arquiteto e dono de uma firma de construção civil.

Quando o tema de interesse é o cinema, o teatro, a música e ou as artes plásticas, a Biblioteca Edmundo Moniz (Cedoc/Funarte), instalada na Rua São José, costuma ser a escolhida. Criada em 1956, ela foi incorporada à Funarte em 1990 e guarda mais de 40 mil livros. O acervo, apenas para consulta, inclui periódicos, textos teatrais, cartazes, partituras, fotos, arquivos sonoros, vídeos e dossiês de personalidades, eventos e espaços culturais, num total de 1 millhão de peças. Entre os itens raros, estão as coleções de “A Scena Muda”, revista brasileira sobre cinema, que circulou entre 1921 e 1955, sendo a primeira publicação do país especializada no tema, e de “Cinearte”, que circulou entre 1926 e 1942. A média mensal de visitantes é de 150 pessoas.

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