terça-feira, 31 de julho de 2012

PROFISSIONAL BRASILEIRO É POUCO ENGAJADO NA EMPRESA


Em tempos de freio em novas oportunidades de trabalho formal, os profissionais brasileiros precisam se engajar mais no trabalho e nas atividades das empresas que os empregam. Como consequência, a exigência de obtenção de resultados, e de forma mais rápida, é cada vez maior.


Estudo produzido com 32 mil trabalhadores de 65 países pela Towers Watson, multinacional que atua na orientação organizacional de empresas, identificou que entre os profissionais do Brasil apenas 28% demonstraram engajamento sustentável: sentem prazer em trabalhar em suas atuais empresas e se preocupam com a qualidade do trabalho e com o resultado a ser alcançado.


A coordenadora dos cursos de recursos humanos das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), Roseli Martinez, afirma que os trabalhadores que não têm compromisso com os resultados que deles se espera nas empresas terão mais e mais dificuldades para ascender nas companhias e, pior, devem encontrar obstáculos para se manter no emprego ou mesmo achar nova ocupação.


Na avaliação da analista, o ambiente laboral não tem mais espaço para afirmação do tipo “isso não é problema meu” ou para a ascensão profissional a partir de bajulações. “Buscar resultado não tem nada a ver com bajular. Os bajuladores não se preocupam em entregar resultados, não têm interesse nisso.”

Orgulho e disposição

Carlos Ortega, consultor sênior da área de Pesquisas com Empregados da Towers Watson no Brasil, explica que ser um profissional com engajamento sustentável significa estar conectado com os valores da empresa, orgulhar-se de fazer parte dela e estar disposto a ajudar a companhia a obter sucesso em seu ramo de atividade.

Na avaliação de Ortega, quem não está engajado tem problemas para entregar os resultados esperados e deve mudar de postura, ainda que, para isso, tenha de trocar de emprego. “Em boa parte dos casos, a falta de engajamento está relacionada às políticas das empresas que não valorizam seus colaboradores da maneira correta”, afirma Ortega.

O executivo compara o funcionário engajado de forma satisfatória ao maratonista que vence a corrida a partir de seu esforço, mas com o suporte adequado. “É um corredor que dá o melhor de si, mas também conta com o melhor apoio que sua equipe pode dar”, arremata Ortega.

Na opinião da coordenadora do MBA de Psicologia Positiva da Trevisan Escola de Negócios, Lilian Graziano, a satisfação de um funcionário está diretamente ligada ao que de melhor ele oferece à empresa como profissional. “O resultado virá, e outros itens importantes como salário serão consequência”, diz Lilian.

Enfrentar desafios

A especialista em planejamento estratégico Mônica Saggioro, de 25 anos, considera-se uma funcionária engajada. “Vestir a camisa de uma empresa é fazer o trabalho como se o empreendimento fosse seu.”

Mônica está no emprego atual há seis anos. “Comecei como estagiária, fiz parte do programa de trainee, fui crescendo até chegar ao setor de planejamento, no qual estou há três meses.”


A especialista destaca que entre as posturas que evidenciam o engajamento está enfrentar os desafios propostos no cotidiano do trabalho. Mônica ressalta que engajamento nada tem a ver com trabalho excessivo. “Pode ser necessário, mas não é regra.”


Fonte: Jornal da Tarde 24/07/2012