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Como se Montar um Data Center

Juan Peixoto em 26 de Julho de 2008 @ 21:02

Como se Montar um Data Center
26 de julho de 2008 às 17:36

Um Data Center é uma modalidade de serviço de valor agregado que oferece recursos de processamento e armazenamento de dados em larga escala para que organizações de qualquer porte e mesmo profissionais liberais possam ter ao seu alcance uma estrutura de grande capacidade e flexibilidade, alta segurança, e igualmente capacitada do ponto de vista de hardware e software para processar e armazenar informações.
Atualmente podemos definir duas categorias principais de Data Centers: Data Center Privado (PDC) e o Internet Data Center (IDC).

Um PDC pertence e é operado por corporações privadas, instituições ou agências governamentais com o propósito principal de armazenar dados resultantes de operações de processamento interno e também em aplicações voltadas para a Internet. Por outro lado, um IDC normalmente pertence e é operado por um provedor de serviços de telecomunicações, pelas operadoras comerciais de telefonia ou outros tipos de prestadores de serviços de telecomunicações. O seu objetivo principal é prover diversos tipos de serviços de conexão, hospedagem de sites e de equipamentos dos usuários. Os serviços podem incluir desde comunicações de longa distância, Internet, acesso, armazenamento de conteúdo, etc.

Serviços oferecidos em um Data Center

Co-location: O cliente contrata o espaço físico dos racks e a infraestrutura de energia e de telecomunicação, porém os servidores, os sistemas, o gerenciamento, monitoramento e suporte técnico são fornecidos pelo cliente. Esta relação pode ser flexibilizada e para isto costuma-se estabelecer um contrato com os termos e as condições, definindo claramente o escopo dos serviços de cada lado. Inclui equipamentos de Telecomunicações.

Vantagens para sua empresa:
• Segurança;
• Rapidez de atendimento;
• Suporte;
• Consultoria especializada.

Serviços básicos
Está incluso no colocation um pacote de serviços básicos para o funcionamento dos equipamentos, sem custo adicional e mantendo o padrão em todo o DataCenter.

Os serviços disponibilizados são:
• Monitoramento pró-ativo com notificação;
• Servidor de DNS (Servidor de Domínio de Nomes) primário e secundário;
• Suporte técnico 24 x 7 x 365;
• Segurança predial;
• Serviço de reset (ligar/desligar equipamento);
• Monitoramento de rede;
• Infra-estrutura redundante;
• Sala de incubação (desembalagem e configuração).

Serviços complementares
Contratando o colocation o cliente recebe uma série de serviços. Mas também pode implementar sua aquisição com opcionais que vão proporcioná-lo o mais completo leque de serviços que uma empresa pode receber em colocation.

O cliente vai contar com:
• Conectividade;
• Disponibilização de acesso e banda para a conexão à internet e rede externa;
• Sala de clientes compartilhada;
• Sala de clientes exclusiva;
• Endereçamento IP.

Este serviço é dedicado às empresas que precisam de alta qualidade em infra-estrutura, conectividade entre os escritórios e/ou à internet. Além disso, existe um espaço especializado - uma estrutura física completa como se fosse seu próprio escritório, onde são disponibilizados micro, fax e terminais telefônicos. Esse serviço é vendido em m², cages (gaiolas) ou 1/2 rack e conexões (IP, internet, frame relay, ATM, etc.) a partir de 64 Kbps.

Hosting
O hosting oferece uma linha de serviços indicada para empresas que desejam otimizar investimentos em hardware e software. O serviço de hosting permite ao cliente a utilização da infra-estrutura do DataCenter e de servidores de última geração, além de contar com profissionais altamente qualificados que oferecem suporte permanente ao cliente.
O cliente tem a possibilidade de escolher equipamentos e pacotes de softwares customizados de acordo com a necessidade de seu negócio. Tudo é desenvolvido e criado sob medida para oferecer a melhor solução para cada cliente. Assim, fica garantida a aquisição de produtos que sua empresa necessita, permitindo que o cliente possa se dedicar integralmente a focar suas ações em seu core business.

A alocação de um espaço físico em um rack e a quantidade disponibilizada para os equipamentos são calculadas em função da configuração definida dos servidores e equipamentos de hosting. Tudo com a vantagem de sua empresa poder definir a largura da banda.

Vantagens para o cliente:
• Economia de investimentos em ativos fixos;
• Servidores de última geração;
• Atualização constante de software/hardware;
• Know-how em tecnologia;
• Rapidez no atendimento;
• Confiabilidade dos serviços prestados;
• Segurança;
• Instalações de alto padrão.

Serviços básicos
Utilizando o serviço de hosting o cliente otimiza os investimentos em hardware e software com exclusividade na utilização de servidores de última geração. Serviços indispensáveis para o funcionamento dos equipamentos são disponibilizados sem custo adicional e com o alto padrão do nosso DataCenter. Estão incluídos:
• Planejamento de capacidade da rede e do servidor;
• IDS (Detecção de Intrusão);
• Monitoramento pró-ativo com notificação;
• Disponibilidade de endereçamento IP;
• Emissão de relatório on-line;
• Servidor de relay de e-mail;
• Servidor de DNS (Servidor de Domínio de Nomes) primário e secundário;
• Suporte técnico 24 x 7 x 365,
• Help Desk;
• Segurança predial;
• Serviço de reset (ligar/desligar equipamento);
• Garantia de manutenção de segurança lógica do sistema operacional;
• Operação total do servidor até o nível do sistema operacional;
• Backup incremental.
• Espaço adicional em estrutura SAN (Storage Area Network);
• Tráfego Gbytes por meses adicionais;
• Espaço adicional em disco interno;
• Memória adicional;
• Raid 1/5, com possibilidade de serviço de proteção ao HD interno através de replicação de dados entre discos;
• Contas de e-mails adicionais;
• Conectividade.

Um dos aspectos que devem ser observados na contratação de um serviço de Data Center, é o tipo de acesso (co-location) que o usuário terá ao servidor do provedor de serviços. O tipo de acesso irá definir por qual método o servidor será acessado em caso de necessidade.

Se o co-location for contratado, o acesso é feito pelos funcionários do provedor, localmente. Se o co-location for remoto, o acesso será feito através de softwares de controle remoto que será escolhido pelo usuário. Neste caso o aplicativo de acesso remoto é instalado no servidor pelos funcionários do provedor de serviço. Eventualmente uma ou mais ferramentas podem necessitar de manutenção ou pode haver a necessidade de instalação de novos aplicativos. Nesses casos, o usuário deve solicitar ao provedor do serviço que providencie o que for necessário para a operação. Durante a hospedagem no servidor, o usuário assina um termo constatando a legalidade de todos os softwares instalados em seu servidor.

Pode-se observar que através do co-location (locação de um servidor exclusivo do usuário, instalado e operado na estrutura do provedor), o usuário pode se beneficiar de uma série de recursos. Um co-location proporciona alta escalabilidade, ou seja, em caso de necessidade de ampliação dos serviços ou equipamentos, a mesma pode ser feita imediatamente, com monitoramento 24 horas por dia e 7 dias por semana (24X7), backup, otimização dos custos de operação e manutenção, rede com alta disponibilidade e carga balanceada.

1. Localização
A escolha do local para implantação do IDC deve ser feita levando-se em consideração a região, compatível com o Código de Zoneamento do Município, tamanho do terreno, acesso fácil para a entrega de equipamentos, áreas altas sem inundações e existência de infra-estrutura básica de esgoto, água, telefonia e energia elétrica.

Critérios de Escolha do Local
• Estar próximo a pontos de presença de redes de acesso de fibra óptica possibilitando a ligação de dois troncos diferentes.
• Disponibilidade de energia com possibilidade de obtenção de duas entradas de energia
• Escalabilidade, permitir o aumento da área construída ao longo do tempo.

2. Arquitetura
As principais áreas componentes de um IDC são: Hall Social, e as salas de reunião para recepção de visitante.
Área administrativa:
• Operação, manutenção e armazenagem de equipamentos.
• Sala de equipamentos incluindo sala de servidores pra hospedagem e co-location e sala de telecomunicações.
• Sala de equipamentos dos segmentos energia elétrica e ar condicionado.
• Grupo Moto Gerador e tanque de combustível geralmente localizado em área externa ao IDC.

O Objetivo do planejamento do espaço é:
• Ter as instalações com 60% da área total dedicadas à sala de Equipamentos do Data Center.
• Promover o “estado da arte” nas instalações desde o sistema operacional até o nível do gerenciamento do banco de dados.
• Promover instalações que reflita a imagem de uma empresa de alta tecnologia, negócio de risco de investimentos de alta rentabilidade, de funcionalidade e controle.

Usualmente o IDC é dividido em três zonas físicas de segurança em ordem crescente de restrição de acesso:
Zona I - Áreas públicas incluindo o Hall Social, área para visitantes e áreas administrativas.
Zona II - Áreas de Operação do IDC.
Zona III - Salas de Equipamentos, coração do IDC, onde estão localizados os servidores, o “shaft” de cabos, as unidades de distribuição de energia (PDUs), baterias e máquinas de ar condicionado.

3. Construção
A Construção deve prover uma estrutura sólida segura compondo as instalações que complementam e protegem os equipamentos e informações que residem no IDC.

Energia Elétrica
O segmento elétrico é constituído pelo Sistema Ininterrupto de Energia (UPS), o Sistema de energia de Emergência e as unidades de distribuição de potência (PDU).
O sistema ininterrupto de energia (UPS) tem a função de fornecer energia para todos os equipamentos do Data Center, incluindo equipamentos de segurança e detecção e alarme de incêndio. Ele é composto por conjuntos de No-Breaks compostos por baterias, retificadores e inversores. Estes No-Breaks, redundantes, ligados em paralelo, assegurarão o suprimento contínuo de energia mesmo em caso de falha de transformadores, entrada de energia ou algum conjunto de No-Breaks.
Os bancos de baterias são dimensionados para alimentarem as cargas por um período de 15 minutos. Este tempo é suficiente para partida e conexão dos geradores a diesel em caso de falta de energia elétrica da Concessionária.

O sistema de energia de emergência consiste de um Grupo de Geradores Diesel que entrarão em funcionamento e se conectarão ao sistema elétrico do IDC automaticamente.
Os geradores são dimensionados para suportar todas as cargas necessárias ao funcionamento dos Equipamentos do Data Center durante falta de energia da Concessionária. O Objetivo é atender a operação 24 horas x 7 dias da semana, considerando as condições para manutenção preventiva, acréscimo de novos componentes e reposição operacional após interrupções não programadas.
As unidades de distribuição de potência (PDU) são responsáveis pelo condicionamento do sinal para alimentação dos vários equipamentos do IDC.

4. Ar Condicionado
O segmento de Ar Condicionado tem a função de manter um ambiente controlado de temperatura e umidade nas instalações do IDC.
O segmento de Ar Condicionado inclui o sistema de refrigeração, unidades de tratamento do ar e sistema de Distribuição de Ar condicionado. Ele deve estar ligado aos geradores de energia de emergência.
O Sistema de Refrigeração deve prover aquecimento, resfriamento, umidificação e desumidificação da edificação.
O Sistema de Tratamento de Ar deve ser separado em três tipos de área: Sala de Equipamentos do Data Center, área de Escritórios, Salas de Equipamentos de Ar condicionado e Elétricos. A separação é devida às diferenças de calor sensível e calor latente de cada área às condições de temperatura e umidade.

O Sistema de Distribuição de Ar Condicionado para a Sala de Equipamentos do Data Center utilizará o sistema de insuflamento de ar pelo pleno criado por baixo do piso elevado. Este sistema de insuflamento pelo piso elevado implica em uma altura mínima de 60 cm., que dependendo da quantidade de conduítes, tubulação, esteiramentos, etc, deverá ter sua altura ajustada de maneira a permitir a circulação do ar ao longo de toda a sala do Data Center. O Objetivo é operar 24 horas por dia nos 7 dias da semana.
Uma climatização adequada é fundamental para a manutenção do desempenho e segurança do funcionamento dos serviços de Data Center.

Um Data Center deve garantir que a temperatura interna nas áreas de produção varie em, no máximo, 1ºC. Para isso, devemos contar com:
• Estruturas de refrigeração N+1, ou seja, para cada equipamento operante, há outro de reserva (pronto para uso);
• Módulos de refrigeração e renovação de ar;
• Escalabilidade de acordo com a demanda.

5. Sistema de Proteção Contra Incêndio
O Data Center é uma instalação para aparelhos eletrônicos essenciais, como servidores e outros tipos de computadores e equipamentos de telecomunicações. Além de atende ás normas do Corpo de Bombeiros local, o sistema de proteção contra incêndio deverá procurar evitar danos nos equipamentos em caso de incêndio.
Uma das melhores soluções de combate a incêndio para as salas de Equipamentos é uma combinação do Sistema de Combate com Chuveiros Automáticos de Pré Ação (com tubulação seca) acima do piso elevado e o sistema de Combate a Incêndios por Gás FM 200 abaixo do piso elevado.
O sistema de combate com gás será conectado a um sensível sistema de detecção e será o primeiro a ser acionado. O gás é espalhado pela área, não deixando resíduos que danifiquem os equipamentos sensíveis ou que requisitem um custo de limpeza dos equipamentos.
O sistema de pré-ação quando acionado desencadeia a descarga de água somente nos sprinklers que tenham sido operados pelo calor acima do incêndio.

7. Sistema de Supervisão e Controle
O sistema de supervisão e controle monitora continuamente os vários segmentos do IDC controlando itens como:
• Controle de carga e paralelismo dos grupos geradores
• Supervisão e controle dos painéis de média tensão
• Supervisão e controle dos painéis de baixa tensão
• Integração com sistema dos geradores
• Integração com sistema de retificadores

O Sistema é formado por microcomputadores de última tecnologia capazes de resistir ao uso contínuo, adequado para sistemas de supervisão e controle. Os mesmo são redundantes entre si, permitindo alta flexibilidade e performance do sistema.Caso ocorra alguma falha em qualquer dos PCs o seu consecutivo assume automaticamente.
O IDC dispõe ainda de um sistema de circuito fechado de TV e de controle de acesso que controla a entrada ou saída nas várias salas e zonas físicas de segurança do IDC.

8. Normas
Fator importante de um Data Center, encontra-se em implantar e manter métodos de padronização de implementações de cabeamento estruturado visando possíveis expansões, certificação e garantindo segurança e o máximo proveito da rede.
Com relação às normas utilizadas, podemos destacar as normas criadas pela EIA/TIA (Electronic Industries Association / Telecommunications Industry Association) ou mesmo a ISO/IEC (International Standards Organization/International Electrotechnical Commission denominada de ISO/IEC 11801, equivalente à EIA/TIA 568A reeditada pela ISO). Dentre as normas EIA/TIA, temos como principais:

8.1 - Norma TIA/EIA TSB 67
Especificações da Performance de Transmissão para Testes em Campo do cabeamento UTP Cat5 (UTP end-to-end System Performance Testing) visando sistema de Telecomunicações (Telecommunications system Bulletin – TSB) é dirigido às especificações de testes para performance pós-instalação, as especificações incluem características dos testadores de campo, métodos de teste e um mínimo de exigências de transmissão para sistemas de cabeamento UTP. Cita fatores que afetam a performance como as características do cabo, do hardware de conexão, dos patch cords e da conexão cruzada bem como número total de conexões e a qualidade da instalação. A norma TIA/EIA TSB-67 refere-se a duas configurações de teste:
a) Configuração do teste básico de link (Basic link test configuration): O teste básico de link é usado para verificar a performance do cabo permanente instalado.

Este teste inclue os seguintes componentes:
• Até no máximo 90m de cabeamento horizontal: inclue um cabo do armário de telecomunicações (TC) a um ponto de consolidação opcional e do ponto de consolidação ao outlet (armário) de telecomunicações. De um extremo a outro de uma conexão do cabo horizontal.
• Até 2m de coord (cordão) de teste da unidade principal do testador de campo à conexão local.
• Até 2m de coord de teste da conexão remota à unidade remota do testador de campo.

Existem quatro parâmetros de teste em cada link:
• Mapeamento (Wire Map) – Consiste em confirma a continuidade dos 8 condutores end-to-end. Indicando possíveis pares em curto (shorts between pairs), pares cruzados (crossed pairs), pares reversos (reversed pairs) e pares emendados (split pairs).
• Comprimento (Length) – Método de medição do comprimento do cabo por meios elétricos.
• Atenuação (Attenuation) – Método utilizado na medição da perda de sinal no canal ou link básico.
• NEXT – Medição da quantidade de interferência do sinal que um par causa no outro. É testado em todos os pontos finais do link (pontos finais, locais e remotos).

2. Configuração do Teste do Canal (Chanel Test Configuration)
O teste de canal é usado para verificar a desempenho do canal por inteiro. O canal possue os seguintes componentes:
• Até no máximo 90m de cabo horizontal incluindo o cabo entre o TC e um ponto de consolidação (opcional) e do ponto de consolidação ao outlet (armário) de telecomunicações.
• Coord (cordão de conexão de máquina ou equipamento) da área de trabalho.
• Conexões cruzadas nos armários de telecomunicações sendo de efetuadas através de patch coord ou cabo de jampeamento.
• O comprimento total dos coords, patch cords e cabos de jumpeamento e coords da área de
• trabalho não podem exceder 10m.

8.2 - Norma TIA/EIA TSB 72
Diretrizes do Cabeamento Centralizado de Fibra Óptica (Centralized Optical Fiber Cabling). A TSB-72 foi criada para ajudar no planejamento de um sistema de cabeamento fibert-to-the-desk (FTTD) de 62.5/125mm, utilizando-se de equipamentos eletrônicos centralizados ao contrário do método tradicional de distribuição dos equipamentos a pisos individuais podendo-se estender a conexões da área de trabalho à conexão cruzada principal pela utilização de cabos pull-through (ligação direta), uma interconexão ou uma emenda no armário de telecomunicações.
Usar uma interconexão entre o cabeamento horizontal e o backbone permite a melhor flexibilidade, facilita o gerenciamento e pode facilmente migrar para uma conexãocruzada.
Porém deve-se ter o comprimento máximo do cabeamento horizontal em 90m. A distância do cabeamento horizontal e backbone combinada com os coords da área de trabalho, patch coords e coords de equipamento não pode exceder 300m.

O sistema de cabeamento centralizado deve localizar-se no interior do mesmo edifício das áreas de trabalho a serem servidas. Todo deslocamento e mudança de atividade devem ser executados na conexão cruzada principal. Links horizontais deveriam ser adicionados e removidos no armário de telecomunicações. Para isso deve haver um projeto do sistema de cabeamento centralizado permitindo a migração para o modo pull-through, interconexão ou emenda para uma implementação de conexão cruzada. Como método para facilitar esta migração, deve haver no escopo do projeto espaço suficiente no armário de telecomunicações permitindo futuros crescimentos e colocação de patch panels adicionais, bem como adequadas folgas (slack) nos cabos permitindo possíveis deslocamentos de cabos até a o local da conexão cruzada. Tal folga pode ser armazenada por cabos ou fibras sem conectores. No preenchimento da folga tem que se prevenir que o raio máximo para curvas nos cabos não sejam violados evitando assim possíveis danificações em fibras ópticas e outros. As folgas em cabos podem ser armazenadas em interiores ou nas paredes do armário de telecomunicações, porém devem ser usadas caixas para proteger folgas de fibras ópticas, devido suas limitações e especificações.

Com relação ao backbone, providenciar que sejam permitidos futuros links horizontais, isto minimiza a necessidade de colocação de cabos de backbone adicionais. A fibra do backbone deve ser capaz de suportar atuais e futuras tecnologias de rede, sendo exigidas duas fibras para cada conexão da área de trabalho.
A norma tem como exigência a utilização das seguintes normas ANSI/TIA/EIA-606 para etiquetagem do sistema de cabeamento centralizado, ANSI/TIA/EIA-568-A para assegurar a polaridade correta da fibra e especificações de conectores e métodos de conectorização implementando-se a orientação A-B na área de trabalho e a orientação B-A na conexão cruzada central.

8.3 - Norma TIA/EIA TSB 75
Práticas Adicionais do Cabeamento Horizontal por Zonas (Additional Horizontal Cabling Practices for Open Offices) metodologia para atender ambientes de escritórios modulares aumentando a flexibilidade e diminuindo custos. Está descriminada da seguinte forma:

1. Referência o Cabeamento Horizontal para Escritórios Abertos (Horizontal Cabling for Open Offices). Um ponto de terminação horizontal (armário de telecomunicações multi-uso) e ou um ponto de interconexão horizontal intermediário (ponto de consolidação) criando assim maior flexibilidade em layouts de escritório aberto com mobília modular, onde se tem mudanças freqüentes. O armário de telecomunicações multi-uso (MUTO) e o ponto de consolidação devem estar em local complemente acessível, localização permanente.

2. Armário de Telecomunicações Multi-Uso (MUTO - Multi-User Telecommunications Outlet Assembly) O Armário de telecomunicações multi-uso (MUTO) tem por função ser um ponto de terminação para o cabeamento horizontal, consiste em vários armários de telecomunicações no mesmo local. O coord modular se estende do MUTO ao equipamento terminal sem conexões intermediárias adicionais. Esta configuração permite a mudança da planta do escritório sem afetar o cabeamento horizontal, seguindo-se dos seguintes critérios:
• Não pode ser instalado no teto.
• O comprimento máximo dos coords modulares deve ser de 20m.
• O coord modular conectando o MUTO ao equipamento terminal deve ser etiquetado em ambas as pontas com um identificador único.

Deve ser identificado com o patch coord de maior comprimento da área de trabalho (cordão modular). O comprimento deste coord é calculado pelas fórmulas:
C = (102 – H) / 1,2
W = C - 7 (O comprimento dos cabos, nas áreas de trabalho não podem exceder 20 m)
Onde:
C = é o comprimento máximo combinado do cabo que conecta o equipamento do usuário à tomada de telecomunicação, mais o cabo que conecta o equipamento no armário de telecomunicação e o cabo que interliga os patch panels;
W = é o comprimento do cabo da área de trabalho;
H = é o comprimento do cabo horizontal.

Já, utilizando cabos de fibra óptica, pode-se utilizar qualquer metragem entre os cabos horizontais, da área de trabalho e do armário de telecomunicação, desde que o comprimento total não exceda 100m. Quando o cabeamento óptico for centralizado, deve-se seguir a orientação da norma TIA/EIA TSB 72.

3. Ponto de consolidação (Consolidation Point): È o ponto de interconexão no interior do cabeamento horizontal, na realidade executa uma ligação direta (straight-through) intermediária entre o cabeamento horizontal partindo da conexão cruzada e o cabeamento horizontal que vai para um MUTO ou para o armário de telecomunicações na área de trabalho. Não se deve haver conexões cruzadas entre os cabos e deve-se seguir as seguintes diretrizes:
• Assegurar que a distância total do canal de maneira alguma ultrapasse a distância de 100 metros.
• Assegurar a fixação dos cabos sem violar as especificações e características de cada material respeitando as exigências de mínimo raio de curvatura.
• Garantir que o ponto de consolidação esteja a pelo menos 15m de distância do armário de telecomunicações, evitando o NEXT adicional devido à ressonância do link de múltiplas conexões nas proximidades do armário.
• Garantir não mais que um ponto de consolidação e um MUTO no interior da mesma rota horizontal.

8.4 - Norma ANSI/TIA/EIA-568-A
Norma que caracteriza o mínimo de especificações de cabeamento estruturado, classificando os componentes da estrutura de instalação da seguinte forma:
1. Facilidade de entrada (Entrance facility): Diz respeito á facilidade de entrada de cabos, hardware de conexão, dispositivos de proteção e outros equipamentos exigidos para o edifício. Os equipamentos no interior da sala podem ser utilizados para conexões de redes públicas ou privadas.

2. Conexão cruzada principal (Main cross-connect): A sala de equipamentos de telecomunicações pode ter a mesma localização da conexão cruzada principal. As técnicas de cabeamento que se aplicam aos armários de telecomunicações (TC) também se aplicam às salas de equipamentos.

3. Distribuição do backbone (Backbone distribution): Interconexão entre armários de telecomunicações, salas de equipamentos, podendo ser envolvidos os cabos, conexões cruzadas (intermediárias e principais) terminações, patch coords ou jumpers para conexões:
• Tem-se diretrizes de vida útil de pelo menos 10 anos, prever a quantidade máxima de cabos suportada;
• Assumir o sistema de distribuição da topologia estrela, podendo ser conectada a uma conexão cruzada principal, intermediária ou outra conexão principal, porém deve-se ter cuidado para não haver mais que dois níveis hierárquico de conexão cruzada principal.
• O recomendado é a utilização de um dos seguintes recursos de conexões dentre elas, Cabo UTP de 100MHz, Cabo STP-A DE 150MHz, Cabo de fibra óptica 62.5/125 m, Cabo de fibra óptica monomodo ou Cabo coaxial de 50W (reconhecida, mas não recomendada para novas instalações).
• Para efetuar a escolha do cabeamento a ser utilizado têm-se critérios de seleção da mídia dependendo de suas características, tais como flexibilidade (considerando-se os serviços suportados), vida útil e tamanho do local e quantidade a ser utilizada.
• A recomendação de distância máxima do backbone também é um fator muito importante para a escolha do cabeamento.

4. Conexão cruzada horizontal (Horizontal cross-connect): É a nome que se refere á armários de telecomunicações (Telecommunications closet functions) que tem por função a conexão em hardware de todos os cabeamentos horizontais, conexões cruzadas intermediárias ou mesmo o cabo de conexão do backbone.
As conexões cruzadas e interconexões (Cross-connections and interconnections) pode ser dizer de conexões entre cabeamento horizontal e backbone ou equipamento conectando circuitos integrados (hardware).

5. Distribuição horizontal (Horizontal distribution): É parte do sistema de cabeamento que interliga o cabeamento da área de trabalho com a conexão cruzada horizontal no armário de telecomunicações, no cabeamento horizontal podemos encontrar saídas de telecomunicações na área de trabalho, terminações e patch coords e jumpers no armário de telecomunicações. A distribuição horizontal também possue alguns fatores importantes como:
• Diretrizes gerais de projeto (General design guidelines): Tem se como meta, satisfazer as especificações atuais, facilitando assim as manutenções e recolocações considerando também a possibilidade de futuras instalações de equipamentos e mudança de serviço uma vez que o cabeamento horizontal é o menos acessível que os outros e está sujeito a maior parte das atividades de uma implementação.
• Topologia (Topology): O sistema de distribuição horizontal deve ter como padrão a topologia estrela onde os pontos dos cabeamentos da área de trabalho devem ser conectados em uma conexão cruzada horizontal no armário de telecomunicações localizado no mesmo piso da área de trabalho, não sendo permitido o uso de emendas e derivações.
• Distâncias (Distances): O sistema deve atender a distância média de 90m correspondente ao comprimento total do cabo (da saída da área de trabalho até a conexão cruzada no armário de telecomunicações) onde é permitido no máximo 10m de comprimento para cada path coord de área de trabalho, de jumpeamento e de equipamentos, porém não se deve exceder 3m de comprimento máximo para path coords e jumpers usados para conexão com equipamentos de cabeamento horizontal ou do backbone.
• Mídia reconhecida de distribuição horizontal (Recognized horizontal distribution Media): Pode-se ser utilizado o cabo UTP de 4 pares 100MHz, cabo STP-A de 2 pares 150MHz ou cabo de fibra óptica 62,5/125 m (duas fibras) como tipos de cabeamento para distribuição horizontal segundo a recomendação das normas, porém existe algumas observações:
- O cabo coaxial apesar de reconhecida não é recomendada para novas instalações.
- Cabos híbridos (múltiplos tipos de mídia envoltos no mesmo cabo) podem ser usados se cada tipo de mídia reconhecida concordar com as exigências de transmissão e especificações de cores para este cabo além de ser necessário efetuar a distinção de cabos UTP multipares.
• Critério de seleção de mídia (Media selection criteria): Para área de trabalho terão que ser equipadas com pelo menos dois armários de telecomunicações podendo-se ser associada com voz e a outra com dados, para o primeiro visa ser necessário cabo UTP 4 pares 100W, categoria 3 ou maior, e para o segundo o cabo UTP 4 pares 100MHz, categoria 5, cabo STP-A 2 pares 150MHz ou cabo óptico 2 fibras, 62,5/125 m•.

6. Área de trabalho (Work area): São definidos como componentes do panorama de trabalho, compreendidos entre cabines ou armários de telecomunicações utilizando cabos UTP 4 pares com no máximo 3m de comprimento de coords. A área de trabalho é apenas uma referência para a norma uma vez que é completamente variável e geralmente nunca são permanentes e em constante mudança.

8.5 - Norma ANSI/TIA/EIA-569-A
É uma das principais normas de cabeamento de rede tendo como foco as especificações de infra-estrutura de cabeamento estruturado, provendo especificações de projetos e direção para todas as instalações prediais. Identificando seis componentes de infraestrutura: facilidade de entrada, salas de equipamentos, rotas para backbone, disposição dos armários de telecomunicações, rotas horizontais e áreas de trabalho.

1. Facilidade de Entrada (Entrance Facility): Define-se pela facilidade de entrada em prédio ou backbone dos serviços de telecomunicações, podendo conter dispositivos com interface de redes públicas. Obrigatoriamente o local ser seco e perto das rotas do backbone vertical.

2. Sala de Equipamentos (Equipment Room): Sala cujo espaço destina-se para localização centralizada dos equipamentos comuns aos funcionários, sua localização e projeto têm que ser considerado à possibilidade de um aumento no número de equipamentos e em sua acessibilidade, necessitando assim de no mínimo requerido 14m².

3. Considerações Gerais de Projeto (General Design Considerations): Sala de equipamentos tende a ser um espaço centralizado para alojamento dos equipamentos de telecomunicações (PABX’s, servidores, roteadores, dentre outros) de um edifício, localizando-se próximo à rota do backbone. Seu tamanho tem como limite mínimo de 14m², porém para atender as características de específicos equipamentos, há a necessidade de efetuar de efetuar um projeto permitindo uma ocupação não uniforme do edifício, provendo de 0,07m de espaço da sala de equipamentos para cada 10m de espaço utilizável do piso. Em caso da sala de equipamentos estiver sendo projetada em andar, verificar que a capacidade do piso agüentará o peso dos equipamentos a serem instalados, bem como verificação de interferências, vibrações, altura, HVAC (equipamento dedicado à sala de equipamentos), iluminação, energia e prevenção de incêndios.

4. Rotas Inter-Edifícios (Inter-Building Pathways): Em um ambiente de campus, rotas inter-edifícios são necessárias dentre as quais efetua a conexão de edifícios separados. As listas ANSI/TIA/EIA-569-A de padrão de subsolo, aterramento, aéreo e túnel são os principais tipos de rotas usadas.

5. Rotas Inter-Edifício de Backbone Subterrâneo (Underground Inter-Building Backbone Pathways): Uma rota subterrânea é considerada um componente da facilidade de entrada. Para planejamento de rota deve-se considerar as limitações vigentes na topologia, ventilação a fim de evitar acumulação de gases, tráfico de veículos para determinar a espessura da camada que cobre a rota e se a mesma deve ou não ser de concreto, se subterrâneas constituídas por conduítes, dutos e cochos, incluindo poços de inspeção.

Sistema de Distribuição Via Cabo para os Servidores

Os cabos de alimentação dos servidores serão instalados sob o piso elevado e dispostos em leitos ou canaletas.
Fibras e cabos coaxiais de dados que interligarão a sala de roteadores e Switches à sala de servidores terão instalação redundante, com um circuito caminhando sob o piso elevado e outro próximo aos bastidores dos servidores. Os painéis de distribuição dos cabos de dados estarão distribuídos ao longo de toda a sala dos servidores.
O projeto do cabeamento é feito de acordo com padrões de cabeamento estruturado. 1.10 Sistema de Distribuição Via Cabo para WAN.

Fibra Óptica

A composição da fibra óptica oferece condições à propagação de energia luminosa através do seu núcleo, ela propaga luz por reflexões sucessivas.
As fibras ópticas possuem algumas vantagens em relação a alguns dos meios físicos tradicionais, como o cabo coaxial e o par trançado. Por exemplo:
• Baixas perdas de transmissão: diminui o número de repetidores.
• Alta capacidade de transmissão: aumenta a quantidade de informação transportada.
• Imunidade a interferências e isolação elétrica: os dados não são corrompidos durante a transmissão.
• Segurança do sinal: a fibra não irradia de forma significativa a luz propagada, dando um alto grau de segurança a informação transportada.
A fibra óptica moderna apresenta largura de faixa muito grande (multigigahertz x quilômetros) com baixa atenuação e pequena dispersão dos pulsos emitidos. Por estas propriedades os sistemas à fibra são os que apresentam o menor custo por quilômetro por canal instalado.

O uso da fibra óptica também possue algumas desvantagens como:
• Fragilidade das fibras ópticas sem encapsulamento
• Dificuldade de conexões das fibras ópticas
• Acopladores tipo T com perdas muito grandes
• Falta de padronização dos componentes ópticos

A capacidade de transmissão (banda passante) de uma fibra óptica é função do seu comprimento, da sua geometria e do seu perfil de índices de refração (n). Existem duas classes principais de fibras: monomodo e multimodo A fibra multimodo possui vários modos de propagação e de acordo com o perfil da variação de índices de refração da casca com relação ao núcleo, classificam-se em: índice degrau e índice gradual, a diferença entre eles pode ser visto na figura a seguir. O seu diâmetro é bastante elevado, entre 50 e 80 mícrons, fazendo com que o feixe luminoso sofra reflexões, limitando o alcance do sinal a cerca de 2 Km. Devido a isso as fibras ópticas multimodo são utilizadas em redes locais ou de campus.
Já a fibra monomodo possui dimensões muito pequenas, e uma capacidade de transmissão superior às fibras multimodo, o seu diâmetro de 10 mícrons, permite uma propagação da onda sem reflexão. A distância é claramente mais elevada e a largura de banda disponibilizada torna-se quase ilimitada. As fibras monomodo são utilizadas, sobretudo nas redes de longa distância, isto é, nas redes metropolitanas do tipo GigabitEthernet, ou em backbones de tipo SDH ou DWDM.
Existem algumas características de transmissão em fibras ópticas que influenciam fortemente no desempenho das fibras com o meio de transmissão, como o DWDM. Na escolha do tipo de fibra óptica, para operação em sistemas WDM, devem ser analisados fatores como: atenuação, dispersão e efeitos não lineares, pois eles são fundamentais para um bom desempenho do sistema.

Cada tipo de fibra apresenta algum comportamento para operação em WDM que irá resultar em restrições para este tipo de operação. Estas restrições terão impacto direto na performance do sistema, limitando sua capacidade de transmissão ou diminuindo o alcance dos enlaces.

Como o leitor percebeu, não é fácil montar um Data Center e nem tão pouco barato. Caso seja o sonho de sua vida, pode entrar em contato que envio o projeto completo da montagem de um Data Center.

Fonte: www.administradores.com.br

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Introduz medidas desburocratizantes na recepção de documentos no âmbito da Administração Pública do Estado de São Paulo

Juan Peixoto em 14 de Junho de 2008 @ 21:44

DECRETO Nº 52.658, DE 23 DE JANEIRO DE 2008

(DOE 24-01-2008)

Introduz medidas desburocratizantes na recepção de documentos no âmbito da Administração Pública do Estado de São Paulo

JOSÉ SERRA, Governador do Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais,

Decreta:

Artigo 1º - Fica vedada, na recepção de documentos por órgãos e entidades da Administração direta, autárquica e fundacional, a exigência de reconhecimento de firmas ou de autenticação de cópias.

Artigo 2º- O disposto no artigo 1º deste decreto não se aplica quando haja determinação legal expressa em sentido contrário.

§ 1º - Na hipótese de que trata o “caput” deste artigo, o servidor deverá proceder ao cotejo, respectivamente, com a cédula de identidade do interessado ou com o respectivo documento original e, somente se houver dúvida fundada, exigirá o reconhecimento da firma ou a autenticação da cópia.

§ 2º - Eventual exigência do servidor será feita por escrito, motivadamente, com a indicação do dispositivo legal em que ela está prevista e da razão específica da dúvida, presumindo-se, caso não o faça, que não considerou necessário o atendimento da formalidade.

§ 3º - Verificada a qualquer tempo a ocorrência de fraude ou falsidade em prova documental, reputar-seão inexistentes os atos administrativos dela resultantes, cumprindo ao órgão ou entidade a que o documento tenha sido apresentado expedir a comunicação cabível ao órgão local do Ministério Público.

Artigo 3º - As Secretarias de Estado, as autarquias e as fundações instituídas ou mantidas pelo Estado:

I - manterão em local visível e acessível ao público relação atualizada das hipóteses, pertinentes aos respectivos âmbitos de atuação, em que há determinação legal expressa de reconhecimento de firmas ou de autenticação de cópias;

II - divulgarão o conteúdo deste decreto em seus sítios eletrônicos, na Rede Mundial de Computadores - Internet.

Artigo 4º - O disposto neste decreto aplica-se, no que couber, às empresas em cujo capital o Estado tenha participação majoritária e às demais entidades direta ou indiretamente controladas pelo Estado.

Parágrafo único - Os representantes da Fazenda do Estado nas entidades mencionadas no “caput” deste artigo e o Conselho de Defesa dos Capitais do Estado - CODEC, da Secretaria da Fazenda, adotarão, em seus respectivos âmbito de atuação, as medidas que se fizerem necessárias ao cumprimento das normas ora editadas.

Artigo 5º - Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Palácio dos Bandeirantes, 23 de janeiro de 2008
JOSÉ SERRA
João de Almeida Sampaio Filho
Secretário de Agricultura e Abastecimento
Luciano Santos Tavares de Almeida
Secretário-Adjunto, Respondendo pelo Expediente da Secretaria
de Desenvolvimento
João Sayad
Secretário da Cultura
Maria Helena Guimarães de Castro
Secretária da Educação
Dilma Seli Pena
Secretária de Saneamento e Energia
Mauro Ricardo Machado Costa
Secretário da Fazenda
Lair Alberto Soares Krähenbühl
Secretário da Habitação
Mauro Guilherme Jardim Arce
Secretário dos Transportes
Luiz Antonio Guimarães Marrey
Secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania
Francisco Graziano Neto
Secretário do Meio Ambiente
Rogério Pinto Coelho Amato
Secretário Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social
Francisco Vidal Luna
Secretário de Economia e Planejamento
Luiz Roberto Barradas Barata
Secretário da Saúde
Ronaldo Augusto Bretas Marzagão
Secretário da Segurança Pública
Antonio Ferreira Pinto
Secretário da Administração Penitenciária
José Luiz Portella Pereira
Secretário dos Transportes Metropolitanos
Guilherme Afif Domingos
Secretário do Emprego e Relações do Trabalho
Claury Santos Alves da Silva
Secretário de Esporte, Lazer e Turismo
Bruno Caetano Raimundo
Secretário de Comunicação
José Henrique Reis Lobo
Secretário de Relações Institucionais
Sidney Estanislau Beraldo
Secretário de Gestão Pública
Carlos Alberto Vogt
Secretário de Ensino Superior
Aloysio Nunes Ferreira Filho
Secretário-Chefe da Casa Civil
Publicado na Casa Civil, aos 23 de janeiro de 2008.

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A utilização do acervo da biblioteca Escolar

Juan Peixoto em 17 de Maio de 2008 @ 17:03

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Universidade Federal de Goiás
Faculdade de Letras – Pós-graduação em Letras e Lingüística
Curso: Discurso e Ensino – Tópicos em Lingüística Aplicada

Professores: Dr. Agostinho Potenciano de Souza e Dra. Eliana Melo Machado Moraes

A utilização do acervo da biblioteca Escolar1
Sônia Maria Domingos Fernandes2

RESUMO: O objetivo deste trabalho é analisar o uso dos acervos da biblioteca escolar. Esta análise teórica mostrará a importância em estimular o interesse pelos livros, adquirir o hábito de leitura entre os estudantes, professores regente e dinamizadores de biblioteca e incentivar e sensibilizar a comunidade escolar no uso deste espaço para a importância de formar leitores críticos.
PALAVRAS-CHAVE: Bibliotecas escolares, reflexão, incentivo à leitura, livros e Cantinhos de Leitura
ABSTRACT: The aim this work is to analyze the use of the school library’s collection. This theoretical analyze will show the importance to stimulate interest a bait different readings and to acquire the habit of reading awing the students, teachers and drivers rulers hips of libraries in the incentive and awareness the community school the use of this space to the importance to for in critical readers.
KEY WORDS: school libraries, reflexion, incentive to reading, books and corns of the reading.

1. Introdução
Longe de constituir mero depósito de livros, a biblioteca escolar é um centro ativo de aprendizagem.
Nunca deve ser vista como mero apêndice das unidades escolares, mas como núcleo ligado ao pedagógico.
A Bibliotecário trabalha com os educadores e não apenas para eles ou deles isolados.
Integrada à comunidade escolar,
a biblioteca proporcionará a seu publico leitor
uma convivência harmoniosa com o mundo das idéias e da informação..
Graça Maria Fragoso
1 Trabalho de conclusão da disciplina Discurso e Ensino – Tópicos em Lingüística Aplicada, apresentado para avaliação.
2 Graduada em Letras e especialista em Língua Portuguesa pela Universidade Salgado de Oliveira. Professora da Secretaria Estadual de Educação de Goiás. Assessora da Superintendência de Ensino Fundamental. E-mail: sonia_domingos5@hotmail.com
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São muitas, mas invariavelmente distorcidas, as visões que se costuma ter de uma biblioteca. Ora é lugar sagrado, onde se guardam objetos também sagrados, para desfrute de alguns eleitos, ora, sob uma ótica menos romântica, é apenas uma instituição burocratizada, que serve para consulta e pesquisa, assim como para armazenar bolor, cupins e traças. Possivelmente, aqueles que a freqüentam assiduamente, ela constitui o local do encontro com o prazer de ler, conhecer, informar-se. O fato é que, quando se trata de Brasil e mais especificamente do Estado de Goiás, a maioria das pessoas desconhece o verdadeiro papel de uma biblioteca em suas vidas e, portanto, na vida da comunidade. Essa afirmação se aplica tanto aos usuários potenciais quanto àqueles que de um modo ou outro tem responsabilidade pelo seu funcionamento, como as escolas. Por inúmeras razões, as bibliotecas escolares brasileiras e goianas estão ainda longe de cumprir sua importantíssima função no sistema educacional. Poucas instituições dispõem dos recursos e da visão necessários (duas condições que nem sempre andam juntas…) para manter uma biblioteca digna desse nome.
Mas, será que a comunidade escolar tem sentido a falta de investimento na biblioteca da escola? Será que no cotidiano escolar os alunos têm sentido a falta da biblioteca como apoio às suas necessidades de informação? Como o professor vem utilizando a biblioteca da escola pública? Qual a relação existente entre a atuação do professor, e o uso e o não-uso que os alunos fazem da biblioteca escolar?
O presente estudo não tem como objetivo responder a esses questionamentos, pois todos eles tratam de problemas seculares e que se arrastam e esbarram numa cultura desavisada e em grande parte desinteressada das pessoas e comunidades envolvidas nesse processo. No entanto, podemos colocar em discussão e reflexão qual é o verdadeiro papel das bibliotecas escolares e das possíveis possibilidades para um bom funcionamento desses espaços privilegiados de aprendizagem.
Assim, a escolha dessa temática deve-se a um interesse pessoal/profissional pela questão da leitura e, em especial, como se dá a utilização da biblioteca no ambiente escolar. Tal estudo se constituiu em uma atividade inicial de pesquisa, cuja produção atenda aos requisitos de avaliação final da disciplina cima referida. A proposta deste estudo, portanto, é verificar como se dá a utilização das bibliotecas escolares no Estado de Goiás, bem como, contribuir para ações que visam reverter a situação em que ainda se encontram grande parte dessas bibliotecas.
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2. Fundamentação Teórica
Historicamente o acesso à informação no Brasil sempre foi definido pelo poder aquisitivo. Durante o período colonial (1500 a 1822), os jesuítas fizeram grandes esforços para facilitar o acesso à palavra escrita. Na verdade, foram esforços isolados, pois a educação e a cultura não eram prioridades dos segmentos dominantes do poder.
Logo após esse período, inúmeros governos provinciais tomaram a iniciativa de criar bibliotecas públicas que eram legalmente criadas por um decreto estadual. No entanto a falta de visão dos administradores era grande, pois geralmente não havia previsão da infra-estrutura necessária. Locais improvisados, acervo desatualizado e composto de doações, instalações precárias, carência de recursos humanos adequados, eram algumas das características dessas instituições chamadas bibliotecas. O custo da imagem dessas instituições provocou um retraimento do possível público usuário. A imagem passou a ser negativa e eram comuns as afirmações de que se tratava de um local de castigo ou para uma pequena elite composta de eruditos.
Segundo Chartier e Hébrard (2001), ao longo do século XX, mesmo quando a liberdade de expressão foi consagrada, os discursos sobre a leitura, veiculados pela Igreja Católica, pela escola republicana ou pelos bibliotecários, procuravam controlar o conteúdo das leituras feitas pelos novos leitores produzidos pela democratização da escolaridade.
No aspecto relativo à tradição cultural, o livro não foi considerado um instrumento valioso de disseminação cultural. As oportunidades para ampliar a metodologia do ensino da leitura eram raras, a falta de bibliotecas públicas associada ao custo do livro fazia com que a formação do leitor fosse sempre adiada. O papel representado pelos livros nas escolas e no sistema educacional foi sempre um papel secundário, pois não havia bibliotecas escolares, grande parte dos professores eram leigos e o que prevalecia sempre era a cópia a dicionários e enciclopédias.
Só nas duas últimas décadas do século passado que a história do livro se tornou um dos campos da pesquisa que mais se desenvolveu, sobretudo nas universidades européias e norte-americanas e, mais recentemente, na América Latina. Aumentaram-se as investigações. Foram lançados grandes empreendimentos de histórias nacionais do livro, construíram-se bibliografias e bases de dados, desenvolveram-se projetos interdisciplinares, organizaram-se colóquios, nasceram revistas e páginas na Internet, criaram-se centros de pesquisa.
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O aumento da pesquisa nessa área nos últimos anos é contemporâneo a um fenômeno ainda mais importante: a revolução que o computador e, agora, a Internet e outras redes informáticas estão trazendo aos mais diversos domínios das atividades relacionadas ao livro, afetando todo o seu circuito tradicional, do processo de escrita à edição, da venda à conservação em bibliotecas, da propriedade intelectual até os modos de ler. Nos trabalhos mais recentes sobre a leitura procura-se traçar um panorama das diversas maneiras de ler em cada época, identificando as principais mudanças ocorridas e construindo uma tipologia dos vários modelos de leitores e leituras no mundo ocidental, da Grécia arcaica à atualidade (Cavallo e Chartier, 2001).
A importância da leitura no processo educativo é inquestionável. Essa certeza une pais e professores na convicção de que ler é bom e que, portanto, a criança deve aprender a gostar de ler. Para isso se faz necessário o incentivo da utilização dos acervos das bibliotecas escolares já existentes. Segundo Abreu é preciso reconhecer que a pesquisa escolar é um processo complexo, que exige do aluno certas habilidades. Abreu entende que:
O estudante deve ter familiaridade com a biblioteca, com a localização dos materiais ali reunidos e com os meios existentes para se recuperar informação: catálogos, internet etc. Precisa saber escolher e consultar diferentes fontes de informação e, mais do que isso, precisa ser capaz de localizar e interpretar essa informação, usando mais de uma fonte, dominando técnicas para esquematizar, resumir e parafrasear. (ABREU 2002, p. 27).
Sabe-se que, de um lado, a busca de métodos mais eficientes para ensinar a ler tem sido uma constante nas pesquisas educacionais, propiciando avanços significativos na prática da alfabetização, enquanto, paralelamente, a escola procura trabalhar as competências de leitura, esperando que a criança encontre significados para o que lê. Será que depois de tantos esforços, tanto a escola quanto os programas governamentais de incentivo à leitura, não têm, de maneira geral, conseguido transformar a criança e o jovem que lêem em leitores críticos?
Segundo Orlandi:
Esse pedagogismo que aí se mostra desvinculado de seu contexto social as soluções para os problemas de ensino. Ou seja, decide-se que não se sabe ler e se propõem técnicas de leitura para que se dê conta, rapidamente, dessa dita incapacidade, generalizada, e que alguns até acreditam que seja inata, de que sofre o brasileiro (“brasileiro não lê”) (ORLANDI 1988, p. 30)
Nesse sentido, enxergar a criança, o adolescente e o adulto como sujeitos da cultura, capazes de criar e de reelaborar informações e experiências dentro do processo educativo
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promovido pela escola significa algo mais do que desenvolver habilidades de decifrar o código lingüístico e garantir o acesso ao livro e à informação.
O papel da biblioteca escolar nesse processo de formação do leitor crítico deve ser repensado. Um número significativo de pesquisas tem revelado o equívoco das políticas e das atividades de promoção de leitura que partem do princípio de que o importante é ler, não importa o quê. A biblioteca escolar pode, sim, ser o local onde se forma o leitor crítico, aquele que seguirá buscando ampliar suas experiências existenciais, um espaço de criação e de compartilhamento de experiências, um espaço de produção cultural em que crianças e jovens sejam criadoras e não apenas consumidoras de cultura.
É inegável a importância das bibliotecas na construção da cidadania. Elas armazenam o produto da ciência e da imaginação dos povos, sob a forma destes objetos culturais que chamamos livros, e funcionam, muitas vezes, como a única possibilidade de indivíduos, social e economicamente desfavorecidos, superarem suas limitações. A formação de nosso ficcionista maior, Machado de Assis, comprova isso. No espaço restrito de uma biblioteca o mundo inteiro fica ao alcance da mão, à disposição dos usuários. Em suas estantes, conhecimento, informação, lazer, evasão, entretenimento se oferecem democraticamente, sem restrições, taxas ou preconceitos.
A socióloga e antropóloga francesa, Michèle Petit, vai mais longe ao afirmar em sua obra Elogio à leitura: a construção de si mesmo, que a leitura, sobretudo quando feita nas bibliotecas escolares por jovens das classes mais desfavorecidas, pode ajudar a elaborar o pensamento e a dar uma liberdade maior de comportamento a esses jovens. Comportamento que está para além do destino que já lhes fora traçado. Pode ser também a recuperação da falta do capital cultural que lhes fora inicialmente negado.
3. AS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A BIBLIOTECA ESCOLAR
O Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE – criado em 1997, (Portaria n. 584, de 28/04/1997), em substituição a dois outros programas, também voltados para a dotação de acervos para bibliotecas escolares: o Programa Nacional Salas de Leitura (PNSL) e o Programa Nacional Biblioteca do Professor (PNBP). A distribuição de obras às bibliotecas escolares, nos
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anos de 1998, 1999 e 2000, tinha como objetivo receber e armazenar as obras doadas pelo MEC, levando-se em conta o número de matrículas de cada unidade escolar, independentemente de suas condições. Também não havia uma sistemática de acompanhamento pelo poder público das condições de acesso dos alunos ao material distribuído. Recorremos a Chartier para esclarecer o que muitas vezes acontecia nessas bibliotecas:
Talvez eu esteja fazendo uma caricatura, mas estas bibliotecas ficavam apenas entreabertas, empoeiradas; eram, afinal, depósito inertes. Por isso surgem as bibliotecas da sociedade Franklin, da Liga do Ensino, dos Amigos da Instrução Pública, que procuram, tanto pelos objetivos de sua abertura quanto pelos acervos oferecidos, cumprir a função de bibliotecas públicas, populares, abertas àqueles que não ousam ou não querem atravessar as portas da biblioteca municipal (CHARTIER 1998, p. 123).
Com o intuito de solucionar os problemas enfrentados nos programas anteriores (PNSL E PNBP), o MEC fez a opção por distribuir coleções de literatura diretamente aos alunos, a partir do PNBE – Programa Nacional de Bibliotecas Escolares / 2001, com o objetivo de possibilitar o acesso desses alunos e seus familiares a obras de qualidade, representativas da literatura. Essa alternativa reduziria, assim, os problemas de armazenamento das obras e de acesso dos alunos aos livros, uma vez que os alunos e seus familiares tinham a posse do material. Ao lado disso, a proposta pretendia aproximar uma parte da população considerada excluída do circuito cultural, na medida em que aproximava o leitor das práticas de leitura sociais, posto que, de posse das obras, esses leitores teriam acesso ao material independentemente de local e horário e poderiam retornar à leitura quantas vezes fossem necessárias, tal qual um leitor que freqüenta o universo literário.
Segundo Perrotti, essa política, no entanto, não se mostrou tão eficaz:
Seus resultados até o momento não conseguiram contribuir substancialmente para a superação dos graves problemas educacionais e sociais que estão na sua origem. Diferentes indicadores, nacionais e internacionais, que medem o desempenho de estudantes com a língua escrita, vêm, uns após outros, mostrando resultados extremamente insatisfatórios nesse aspecto, problema grave diante do qual os poderes públicos não podem ficar indiferentes e passivos. (Perrotti, 2005, p. 23)
A formação do aluno leitor é preocupação de todas as instâncias educacionais. O governo do Estado de Goiás, consciente do importante papel da escola como transformadora dessa sociedade, como agente de formação de cidadãos leitores, de jovens participativos e críticos, por meio da Secretaria Estadual de Educação, implementou uma política educacional realmente
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comprometida com a melhoria da qualidade do ensino público em Goiás. Buscando promover e disseminar o hábito da leitura, no ano de 2000, por meio do Programa Cantinho de Leitura, as escolas das redes estadual e municipal adquiriram um rico acervo de literatura infantil, propiciando aos alunos momentos prazerosos e enriquecedores da leitura literária, em sala de aula. Este programa atende as crianças do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental com a disponibilização de “cantinhos” de literatura infantil, com, no mínimo, 45 obras de qualidade estético-literária em todas as salas de aula da rede pública.
Abreu entende que:
É inquestionável a utilidade e a importância desse acervo de classe para desenvolver o gosto pela leitura. O que não pode ocorrer, entretanto, é a simples substituição da biblioteca por esse tipo de acervo. Os dois têm objetivos diversos e atendem a necessidades de aprendizagem diferentes . (ABREU 2002, p. 51).
Sabendo da importância do incentivo à leitura o Governo do Estado de Goiás criou o programa de Bibliotecas das Escolas Estaduais, para expansão do conhecimento letrado do aluno. Trata-se de um espaço coletivo que beneficia alunos e professores do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, propiciando-lhes condições efetivas de estudos, leituras e pesquisas em todos os campos de conhecimento, atendendo, ainda, às necessidades de atualização dos professores, com a disponibilização de obras didático-pedagógicas, privilegiando, assim, toda a educação básica do Estado.
Segundo Abreu:
A biblioteca não se confunde, portanto, com o acervo de classe. Esse tem uma finalidade especifica e deve continuar existindo, isto é, os livros devem estar sempre perto dos alunos a fim de se cumprir o objetivo de facilitar a aprendizagem da língua. O acervo de classe deve ser bem selecionado e variado e, nesse sentido, a biblioteca deve ser chamada a contribuir para manter o dinamismo que é inerente à coleção de materiais que vão dar suporte a atividades de aprendizagem ricas e diversificadas (ABREU 2002, p. 52).
Chartier (1998) articula algumas reflexões sobre a praxis da leitura no âmbito escolar. Quando questionado sobre o discurso segundo o qual as classes mais jovens se afastam da leitura, afirma que os adolescentes, mesmo os que não são considerados leitores, lêem coisas diferentes do que lhes é cobrado pelo cânone escolar. Chartier declara ainda:
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O problema não é tanto o de considerar como não-leituras estas leituras selvagens que se ligam a objetos escritos de fraca legitimidade cultural, mas é o de tentar apoiar-se sobre essas práticas incontroladas e disseminadas para conduzir esses leitores pela escola, mas também, sem dúvida, por múltiplas outras vias, a encontrar outras leituras (CHARTIER 1998, p.104).
Observa-se, na afirmação do autor acima citado, que a escola, espaço privilegiado do primeiro contato do aluno com o livro, ainda não está preparada e não aproveita essa oportunidade para conduzir a criança e o adolescente no caminho de múltiplas leituras, e principalmente da leitura literária, que os prepararia para o processo de formação do leitor pleno.
De acordo com Perrotti (1993), a questão da formação de leitores na escola abarca, basicamente, o acesso ao livro, a boas fontes de informação e à leitura, e implica na existência dentro da escola, de uma boa biblioteca que funcione de verdade.
Diante do que é colocado por Perrotti, questionamos: Será que a escola que pretende investir na leitura como ato verdadeiramente cultural pode ignorar a importância de uma biblioteca aberta, interativa, com espaço livre para a expressão genuína da criança e do jovem? Situação essa descrita por Silva:
A letargia de certas bibliotecas em promover a leitura causa-nos muito espanto. Isto porque num país de não-leitores todas as agências (incluindo principalmente a biblioteca) devem agir no sentido de fazer com que o hábito de leitura realmente seja instalado. As bibliotecas que se agrupam dentro desta categoria de “espera” somente contribui para com a alimentação da crise da leitura no território nacional (SILVA 1997, p.108)
A biblioteca deve ser, portanto, lugar para se entender e praticar a força espontânea que a leitura crítica proporciona, a leitura que inquieta, que faz pensar e reelaborar um autêntico processo de comunicação, cujo resultado é, sem dúvida, dos mais compensadores para as pessoas nele envolvidas, adultos e crianças, mediadores e leitores em formação.
4. Conclusão
O presente estudo nasceu da necessidade de um maior aprofundamento científico e teórico na busca da reflexão e possíveis soluções para a biblioteca escolar, uma vez que temos visitado centenas de escolas em todo o Estado de Goiás, e quando dessas visitas temos conhecido do funcionamento das bibliotecas de tais unidades. Onde deveria prestar serviços voltados para a educação continuada, fornecendo materiais para todos os assuntos e interesses, e incentivando o
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hábito da leitura o que vemos, na maioria das vezes é um depósito de livros didáticos, novos e usados, dinamizadores de bibliotecas que se contrapõem definitivamente a esse termo, e uma comunidade escolar alheia às possibilidades que esse espaço de aprendizado oferece.
Com base no que foi encontrado nesta pesquisa conclui-se que: a biblioteca é um recurso indispensável para o desenvolvimento do processo ensino aprendizagem e formação do educando/educador; a biblioteca deixa de prestar um grande auxilio nas atividades escolares, no enriquecimento cultural e na formação de cidadãos leitores com uma visão critica, quando ela não cumpre o seu verdadeiro papel de alargar as possibilidades e oportunidades aos seus ausentes freqüentadores; que a biblioteca escolar é o agente de transformação do ensino, na medida em que provoca mudanças pedagógicas na escola. Para que se atinja diretamente os alunos é necessário a aceitação e o desenvolvimento de confiança mútua entre os profissionais que atuam no processo de ensino-aprendizagem.
É necessário realizar atividades integradas com os professores da unidade escolar, pois esses são:
a) o maior elo motivador da leitura para crianças, após as influências familiares, na escola. Portanto, se o professor estiver consciente de seu papel e estimular a leitura estará sempre criando e incentivando o hábito de leitura e, conseqüentemente, o uso de bibliotecas escolares pelos alunos da Educação Básica;
b) exemplo no uso de bibliotecas e favorecem o estímulo aos alunos para utilizarem também a biblioteca;
c) o elo entre biblioteca, livros e alunos, atuando também na seleção de materiais bibliográficos mais adequados para a biblioteca escolar;
d) colaboradores em potencial, juntamente com os dinamizadores das bibliotecas escolares.
Enfim, é importante salientar que através das sessões de pesquisas e de feedback os professores podem revelar informações relevantes que possam confirmar, ou não, as afirmações teóricas e talvez direcionar para ação alternativa que possa efetivar a utilização das bibliotecas escolares. Esse fato sugere a necessidade de maiores investigações nesse contexto, com pesquisas de campo mais detalhadas para um aprofundamento das questões aqui discutidas. Estudo que pretendemos desenvolver no curso de mestrado.
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5. BIBLIOGRAFIA
ABREU, Márcia (org.). Leitura, História e História da Leitura. Campinas, SP: Mercado das Letras: Associação de Leitura do Brasil, 1999.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais (1ª a 4ª séries). Brasília: MEC/ Secretaria de Educação Fundamental, 1997. 10 v.
BATISTA, Antônio Augusto Gomes e Brandão, Heliana Maria Brina. Programa Nacional Biblioteca da Escola – Subsídios para reformulações. Brasília, 2000.
BENVENISTE, E. O aparelho formal da enunciação. In: ________. Problemas de Lingüística Geral II. Campinas, SP: Pontes, 1989.
CAVALLO, Guglielmo e Chartier, Roger (orgs.). Histoire de la lecture dans lê monde occidental (1ª ed. Em italiano 1995). 2ª ed. Paris :Seuil, 2001 (Tradução para português: História da leitura no mundo Ocidental. São Paulo: Ática, 1998).
CAMPELLO, Bernadete Santos. A Biblioteca escolar: temas para uma prática pedagógica. 2. ed. – Belo Horizonte: Autêntica, 2002.
FREIRE, P. A importância do ato de ler. São Paulo: Autores Associados / Cortez, 1981.
LAJOLO, Marisa e ZILBERMAN, Regina. A formação da leitura no Brasil. São Paulo: Editora Ática, 1996.
MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
MUSSALIM, Fernanda & Anna Christina Bentes. Introdução à lingüística: domínios e fronteiras, v.1, 2 e 3. 3. ed. – São Paulo:Cortez, 2003.
OLIVEIRA, Altamar Waldemar Silva. Programas de Bibliotecas das Escolas Estaduais. Gráfica e Editora Bandeirante. Goiânia, 2002.
ORLANDI, E. P. Análise do Discurso – princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, 1999.
PENNAC, Daniel. Como um romance. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
PERROTTI, Edmir. Confinamento cultural, infância e leitura. São Paulo: Summus, 1993.
ROJO, Roxane e BATISTA, Antônio Augusto Gomes. Livro didático de língua portuguesa, letramento e cultura da escrita. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2003.
SILVA, Ezequiel Theodoro da. A leitura nos oceanos da Internet. São Paulo: Cortez, 2003.
________. Leitura e realidade brasileira. 5.ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1997.

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O Conceito e a Prática de Gestão de Documentos

Juan Peixoto em 2 de Maio de 2008 @ 01:38

O Conceito e a Prática de Gestão de Documentos
José Maria Jardim

Desde o desenvolvimento da arquivologia como disciplina, a partir da segunda metade do século XIX, talvez nada a tenha revolucionado tanto quanto concepção teórica e os desdobramentos práticos da gestão ou a administração de documentos estabelecidos após a Segunda Guerra Mundial. Para alguns, trata-se de um conceito emergente, alvo de controvérsias e ainda restrito, como experiência, a poucos países.
Segundo o historiador norte americano Lawrence Burnet, a gestão de documentos é uma operação arquivística “o processo de reduzir seletivamente a proporções manipuláveis a massa de documentos, que é característica da civilização moderna, de forma a conservar permanentemente os que têm um valor cultural futuro sem menosprezar a integridade substantiva da massa documental para efeitos de pesquisa”.
Por outro lado, alguns concebem a gestão de documentos como a aplicação da administração científica com fins de eficiência e economia, sendo os benefícios para os futuros pesquisadores considerados apenas meros subprodutos. Situando-se entre esses dois extremos, a legislação norte americana estabelece a seguinte definição:
O planejamento, o controle, a direção, a organização, a capacitação, a promoção e outras atividades gerenciais relacionadas com a criação de documentos, sua manutenção, uso e eliminação, incluindo o manejo de correspondência, formulários, diretrizes, informes, documentos informáticos, microformas, recuperação de informação, fichários, correios, documentos vitais, equipamentos e materiais, máquinas reprográficas, técnicas de automação e elaboração de dados, preservação e centros de arquivamento intermediários ou outras instalações para armazenagem.
Sob tal perspectiva, a gestão cobre todo o ciclo de existência dos documentos desde sua produção até serem eliminados ou recolhidos para arquivamento permanente, ou seja, trata-se de todas as atividades inerentes às idades corrente e intermediária.
De acordo com o Dicionário de Terminologia Arquivística, do Conselho Internacional de Arquivos, a gestão de documentos diz respeito a uma área da administração geral relacionada com a busca de economia e eficácia na produção, manutenção, uso e destinação final dos mesmos.
Por meio do Ramp/PGI, a Unesco procurou também abordar o tema conforme trabalho de James Rhoads. A função da gestão de documentos e arquivos nos sistemas nacionais de informação, segundo o qual um programa geral de gestão de documentos, para alcançar economia e eficácia, envolve as seguintes fases:
• produção: concepção e gestão de formulários, preparação e gestão de correspondência, gestão de informes e diretrizes, fomento de sistemas de gestão da informação e aplicação de tecnologias modernas a esses processos;
• utilização e conservação: criação e melhoramento dos sistemas de arquivos e de recuperação de dados, gestão de correio e telecomunicações, seleção e uso de equipamento reprográfico, análise de sistemas, produção e manutenção de programas de documentos vitais e uso de automação e reprografia nestes processos;
• destinação: a identificação e descrição das séries documentais, estabelecimento de programas de avaliação e destinação de documentos, arquivamento intermediário, eliminação e recolhimento dos documentos de valor permanente às instituições arquivísticas.
Introduzidos esses aspectos conceituais, é oportuno tentar compreendê-los em dois níveis, antes de discutí-los sob uma perspectiva brasileira:
- seu antecedentes históricos como teoria e prática;
- sua configuração de acordo com os modelos arquivísticos internacionais contemporâneos.
Embora sua concepção téorica e aplicabilidade tenha se desenvolvido após a Segunda Guerra Mundial, a partir do E.U.A. e Canadá, a gestão de documentos possuia raízes já no final do século XIX, em função dos problemas então detectados nas administrações públicas destes dois países, no que se referia ao uso e guarda. Na primeira metade deste século, criaram-se comissões governamentais nos E.U.A. e no Canadá, visando a encontrar soluções para a melhoria dos padrões de eficácia no uso dos documentos, por parte da administração pública. Vale ressaltar que, durante esse período, as instituições arquivísticas públicas caracterizavam-se pela sua função de órgão estritamente de apoio à pesquisa, comprometidos com a conservação e acesso aos documentos considerados de valor histórico. A tal concepção opunha-se, de forma dicotômica, a de documento administrativo, cujos problemas eram considerados da alçada exclusiva dos órgãos da administração pública que os produziam e utilizavam.
Paralelamente, iniciava-se a era da chamada administração científica, em que Frederick Taylor e Frank Gilbreth procuravam mostrar aos administradores como racionalizar o processo administrativo, desenvolvendo suas atividades de forma menos dispendiosa, melhor e mais rápida. A palavra-chave das administrações daqueles países, sobretudo dos E.U.A., passou a ser eficiência. A aplicação dos princípios da administração científica para a solução dos problemas documentais gerou os princípios da gestão de documentos, os quais resultaram, sobretudo, da necessidade de se racionalizar e modernizar as administrações. Não se tratava de uma demanda setorizada, produzida a partir das próprias instituições arquivísticas, em que pese as conseqüências extremamente inovadoras que trouxeram para a arquivologia.
A gestão de documentos veio contribuir para as funções arquivísticas sob diversos aspectos:
- ao garantir que as políticas e atividades dos governos fossem documentadas adequadamente;
- ao garantir que menor número de documentos inúteis e transitórios fossem reunidos a documentos de valor permanente;
- ao garantir a melhor organização desses documentos, caso atingissem a fase permanente;
- ao inibir a eliminação de documentos de valor permanente;
- ao garantir a definição de forma criteriosa da parcela de documentos que constituíssem o patrimônio arquivístico de um país, ou seja, de 2 a 5% da massa documental produzida, segundo a Unesco.
Conforme mencionou Ricks em trabalho apresentado no VIII Congresso Internacional de Arquivos, realizado em Washington, em 1976, a gestão de documentos criou maior consciência em todo o governo, no caso norte-americano, quanto ao significado dos documentos, qualquer que fosse seu suporte, e às suas necessidades de conservação. As instituições arquivísticas públicas, particularmente os arquivos nacionais dos E.U.A. e do Canadá, adquiriram uma nova feição, assumindo também a função de órgão de apoio à administração pública, com a competência de orientar programas de gestão de documentos nos diversos organismos governamentais.
Além disso, hoje elas dispõem de considerável prestígio e de maiores orçamentos, pois foi reconhecido que, como instituições, economizam mais dinheiro do que gastam, em resultado de suas atividades de gestão de documentos. Um exemplo: a rede de arquivos intermedários regionais norte-americanos permite aos cofres públicos uma economia de cem milhões de doláres por ano. É possível imaginar como o custo público da informação governamental tende alcançar níveis reduzidos, aplicando-se o principio básico de gestão de documentos, segundo o qual a informação deve estar disponível no lugar certo, na hora certa, para as pessoas certas e com o menor custo possível.
Das diversas atividades anteriormente citadas, Ricks constata que, na prática, as que possuem uma influência mais direta sobre as instituições arquivísticas são usualmente administradas por essas mesmas instituições: é o caso da administração de arquivos intermediários e a destinação de documentos. As atividades cujo objetivo primeiro constitui-se da eficiência da administração pública são muitas vezes geridas por outro órgão: é o caso da administração de correspondência, formulários, diretrizes, uso de processadoras da palavra, etc. Essa diferença de grau de aplicabilidade do conceito de gestão de documentos distingue mais claramente as experiências americana e candense, da européia - na Europa a tradição arquivística desenvolveu-se sobretudo a partir da característica dos arquivos como fonte de pesquisa retrospectiva. Deve-se ressaltar, neste sentido, a profunda influência européia no funcionamento dos arquivos públicos brasileiros.
Esses aspectos foram abordados em 1985, em Budapeste, por ocasião da Conferência Arquivística Européia sobre a Criação e Organização de Documentos Contemporâneos, patrocinada pelo Conselho Internacional de Arquivos (C.I.A.). De acordo com o trabalho apresentado por Michel Roper, o conceito de gestão de documentos não é amplamente aplicado nos países não anglo-saxônicos; constata que, embora a gestão de documentos não seja reconhecida na prática, as instituições arquivísticas européias são propensas a conduzir em níveis de aprofundamento diverso e segundo preceitos de economia e eficácia a criação, a manutenção e a destinação dos documentos públicos contemporâneos. Roper demonstra também que vários países europeus ainda não situaram sob a jurisdição direta das instituições arquivísticas nacionais os elementos que caracterizam os modernos programas de gestão de documentos. O envolvimento dessas instituições na área de gestão de documentos tende a ser maior em termos de avaliação e recolhimento, muito limitado no que se refere ao uso e manutenção de documentos de primeira e segunda idades e ainda mais restrito em termos de intervenção na produção documental.
Quais seriam os fatores inibidores que comprometeriam a adoção das funções de gestão de documentos pelas instituições arquivísticas?
- limitações de ordem legal;
- escala e complexidade dos governos nacionais, impossibilitando que o único organismo exerça funções executivas em todo este campo;
- tradições administrativas que impedem uma reorganização radical dos sistemas vigentes;
- o papel histórico dos arquivos nacionais, cuja gênese identifica-se com uma atuação mais passiva de custódia dos documentos de valor permanente para a pesquisa retrospectiva.
Vale apontar, ainda, a imensa massa de documentos em diversos suportes, produzidos pelas administrações contemporâneas, e a ampliação do uso de modernas tecnologias.
A conferência apontou algumas conclusões que se inserem nesta reflexão e merecem ser difundidas. São elas:
1. Apesar de a criação de documentos ser primeiramente uma responsabilidade de cada agência governamental, é desejável que o Arquivo Nacional esteja envolvido na preparação e implementação de regulamentos referentes à criação e manutenção dos documentos dentro das agências (incluindo o uso do microfilme e outras tecnologias de criação de documentos), além de regulamentos quanto à durabilidade do suporte documental e à administração do acesso público a informação governamentais.
2. São necessárias providências para a guarda de documentos de valor intermediário, ocasionando vantagens econômicas no uso de instalações físicas e recursos humanos sejam os arquivos intermediários operados pelo Arquivo Nacional ou pelas agências governamentais.
3. Os arquivos nacionais devem assegurar que, de forma condizente com o contexto administrativo e constitucional de cada nação, arquivistas profissionais ofereçam assistência técnica às agências governamentais e a outras instituições públicas na implementação dos sistemas de gestão de documentos.
4. Apesar de as circunstâncias constitucionais, legais, administrativas e históricas determinarem para cada autoridade arquivista nacional um papel diferente na administração de documentos contemporâneos, há determinadas funções nas quais é necessário o envolvimento dos arquivistas do Arquivo nacional, especificamente:
- inspeção de documentos correntes e semicorrentes das administrações públicas;
- transferência de documentos das agências governamentais dissolvidas;
- avaliação de documentos para a transferência aos arquivos públicos;
- transferência de documentos aos arquivos públicos;
5. A seleção de documentos para preservação permanente deve contar com a decisão final dos arquivistas do Arquivo Nacional.
Segundo a Unesco, conforme o trabalho de James Rhoads, há quatro níveis de aplicação de programas de gestão de documentos:
- o nível mínimo estabelece que o governo deve contar, ao menos, com programas de retenção e eliminação de documentos e procedimentos para recolhimento ao arquivo nacional daqueles de valor permanente;
- o nível mínimo ampliado complementa o primeiro, com a existência de um ou mais centros de arquivamento intermediário;
- o nível intermediário compreende os dois primeiros, bem como a adoção de programas básicos que consistem geralmente, em elaboração e gestão de formulários, elaboração de sistemas de arquivos corrente, gestão de correspondência e documentos vitais etc.;
- o nível máximo inclui todas as atividades já descritas, complementadas por gestão de diretrizes administrativas, de correspondência e telecomunicações, de máquinas copiadoras, uso de recursos de automação etc.
A partir dos antecedentes históricos da gestão de documentos e sua configuração institucional em arquivos de países do Primeiro Mundo, em especial da Europa e América do Norte, e tendo em vista as considerações da Unesco, como situarmos o caso brasileiro e, por que não, o latino-americano?
De maneira geral, as instituições arquivísticas públicas brasileiras, em, nível federal, estadual ou municipal, apresentam características comuns no que se refere à sua atuação:
- trata-se de instituições voltadas quase que exclusivamente para guarda de documentos considerados, na maior parte das vezes sem critérios, como de valor histórico e a partir, portanto, da dicotomia valor histórico valor administrativo de documentos;
- são praticamente inexistentes suas relações com o conjunto da administração pública com vistas ao exercício de funções não apenas de apoio a pesquisas científicas retrospectivas, mas também de funções de apoio administrativo ao governo, durante o processo político-decisório;
- por diversas razões (problemas de pessoal, legislação e espaço físico), sua atuação, no tocante à recepção dos documentos produzidos e acumulados pela administração na qual se inserem, caracteriza-se pela passividade;
- ou seja, o modelo de instituição arquivística pública em vigor no Brasil está mais próximo do século XIX do que do XXI.
Esses aspecto, já ampla e detalhadamente diagnosticados, em várias ocasiões, por diversos profissionais, explicam a sempre denunciada situação da gravidade em que se encontra o patrimônio arquivístico brasileiro.
Por outro lado, as características da administração pública brasileira propiciam, por motivos histórico-culturais, que a informação governamental - espinha dorsal do seu desempenho - seja mal produzida, mal utilizada, mal disseminada e, em geral, eliminada ou conservada sem critério pela própria administração pública. A situação em que se encontram os arquivos federais, descrita em relatório elaborado pelo Arquivo Nacional, através da Divisão de Pré-Arquivo, como contribuição ao Plano de Reforma da Administração Federal, expressa claramente o problema. Creio ser oportuno fornecer alguns exemplos:
- no eixo Rio-Brasília, existem cerca de trezentos quilômetros de documentos que atingem quatrocentos anos de história do Brasil, em condições de conservação quase sempre precárias;
- o acesso físico e intelectual a estes documentos é extremamente restrito;
- cerca de 70% dos 454 arquivos federais visitados na cidade do Rio de Janeiro guardam documentos apenas de natureza administrativa (resultante de atividades meio), 5% de natureza técnica (resultante de atividades fim) e 25% de ambos os tipos;
- os arquivos correntes acumulam grandes volumes documentais, cujo uso administrativo não se faz mais necessário, em função da ausência de diretrizes para avaliação e transferência;
- no Rio de Janeiro, apenas 37% dos arquivos afirmam eliminar documentos; destes, só 5% possuem tabelas de temporalidade. Em Brasília, 48% dos arquivos visitados afirmam eliminar documentos; destes, 21% possuem tabela de temporalidade. Tais tabelas são em geral, mal elaboradas, pois, mesmo quando existem comissões de avaliação, estas são formadas por pessoal pouco capacitado;
- quanto a recursos materiais, os espaços são insuficientes e pouco otimizados, bem como o mobiliário e meios de acondicionamento, além da carência de equipamentos;
- quase 90% não possuem códigos de classificação de documentos por assunto, isto é, de acordo com as estruturas e funções dos órgãos produtores;
- apesar da crescente utilização de técnicas micrográficas, tal uso colide, muitas vezes, com uma perspectiva preservacionista e mesmo administrativa, principalmente quando ocorre a substituição do original em avaliação prévia. Por outro lado, microfilma-se com freqüência e de maneira desnecessária documentos cujas informações não são relevantes em nível administrativo ou para a pesquisa científica.
Em que pese a indigência orçamentária dos arquivos públicos brasileiros, trata-se de instituições deficitárias para os cofres públicos, pois sua condição nem sempre permite atender de forma razoável às demandas da pesquisa científica o outros usos sociais (funções estas que não podem ser mensuradas, em termos de rentabilidade financeira) nem atuar como órgão de apoio à administração pública, mediante atividades mínimas de gestão de documentos (função esta que pode objetivamente contribuir para a diminuição de déficit público do aparelho de Estado).
Por tudo isso, talvez se possa afirmar que o custo público da informação na administração pública do Brasil é talvez mais caro para a sociedade do que nos E.U.A., no Canadá e em outros países que desenvolvem programas de gestão de documentos. E, portanto, a sua implementação que permite às instituições arquivísticas públicas se modernizar e, assumindo novas funções e se tornando, também, menos deficitárias.
Que gestão de documentos podemos nós, profissionais dos arquivos públicos brasileiros, oferecer à administração pública?
Resultado das demandas de administrações públicas como os E.U.A. e o Canadá, a aplicação dos princípios teóricos da gestão de documentos envolve, necessariamente, a construção de metodologias específicas compatíveis com a tradição histórico administrativa do país. Se as experiências internacionais neste campo constituem um marco referencial e fonte de inspiração para as nossas reflexões, cabe aos arquivos públicos brasileiros, por meio de seus profissionais, juntamente com os administradores públicos, voltar-se para a produção do conhecimento indispensável à implementação conseqüente de programas de gestão de documentos. É preciso, portanto, realizar experiências metodológicas em diversos níveis (o da macro e o da micro-arquivísticas, segundo Matta Castillón), tendo como requisitos fundamentais:
- um profundo conhecimento dos elementos característicos da administração pública brasileira: sua complexidade, diversidade, evolução e, sobretudo, suas demandas;
- condições mínimas necessárias quanto a legislação, recursos humanos e materiais, com vistas à implementação de políticas públicas nesse campo.
Em função de nossos contatos e experiências junto à A.P.F. alguns aspectos em especial parecem requerer um grande esforço de construção metodológica e implementação na administração pública brasileira por parte de arquivistas e administradores. Neste sentido, vale destacar:
- a elaboração de diretrizes no tocante ao recebimento, classificação, tramitação e arquivamento de documentos de uso corrente;
- a elaboração de procedimentos básicos que permitam avaliar e selecionar grandes e variados acervos desorganizados, considerando-se a escassez quantitativa e qualitativa de recursos humanos especializados para este fim.
Cabe ressaltar também a necessidade de se elaborarem procedimentos básicos que possibilitem a recuperação de informações contidas em grandes volumes documentais de valor intermediário e permanente, acumuladas de forma dispersa pelos órgão públicos, a maior parte de maneira desorganizada ou organizada inadequadamente. Há outros tópicos a serem priorizados como objeto de normalização por parte dos arquivos públicos:
- a transferência de documentos para arquivamento intermediário e recolhimento para guarda permanente;
- a gestão dos depósitos de documentos dos órgãos públicos, que em geral recebem sem critérios documentos provenientes dos arquivos correntes;
- o uso racional de modernos recursos tecnológicos, como a micrográfica e a informática;
- um estudo do perfil do usuário da informação arquivística na administração pública, ou seja: quem a produz, por que razão, em quais condições e como e quando necessita desta informação ao longo dos processo decisório.
Ao contrário dos países onde a gestão de documentos se desenvolveu como teoria e prática, no Brasil são os arquivos públicos que, com vistas à sua modernização, se dirigem à administração pública com projetos que objetivam a adoção de elementos básicos da gestão de documentos. É o caso do Arquivo Nacional, ao realizar uma experiência piloto no Minagri e que atualmente desenvolve um projeto semelhante na Superintendência do Rio de Janeiro e na Direção-Geral do I.N.S.S.
Tais iniciativas parecem-me oportunas e imprescindíveis. Entretanto, para que sejam realmente producentes e, sobretudo, ampliáveis a médio e longo prazo, um desafio se coloca: a própria administração pública. Somente para uma administração pública comprometida com os serviços que deve prestar à sociedade, terá relevância a adoção de padrões mais eficazes, seja para a gestão de documentos, para a gestão orçamentária ou de recursos humanos. Como nos indica o cientista político Sergio Abranches, o problema do setor público é um problema ético; “O Estado somente se justifica pelas obrigação coletivas que atende”.
Até mesmo na aplicação de um programa mínimo de gestão de documentos, tal como propõe a Unesco (elaboração de programas de avaliação e recolhimento sistemático aos arquivos públicos), seu sucesso pressupõe obrigatoriamente o reconhecimento pela administração pública de suas necessidades básicas nesta área e de atitudes governamentais transformadores. É, portanto, a dinâmica do processo histórico em curso no Brasil que definirá de fato as possibilidades de um trabalho de gestão de documentos na administração pública federal.
Para concluir, gostaria de afastar qualquer impressão de pessimismo que eu possa ter veiculado neste artigo. Ao contrário, como cidadão e profissional de arquivo, citando a canção de Mílton Nascimento, que Elis cantou, “falo assim sem tristeza, falo por acreditar que é cobrando o que fomos que iremos crescer”.

BIBLIOGRAFIA
DICTIONARY of archival terminologya english and french; with equivalents in dutch, german, italian, russiaan and spanish = Dictionnaire de terminologie archivistique, comp. by Frank B. Evans, François J. Himly and Peter Walne. München ; New York; London; Paris: Janv., 1984. 226 p. (ICA Handbooks series; v. 3)
EUROPEAN ARCHIVAL CONFERENCE ON THE CREATION AND ORGANIZATION OF CONTEMPORARY RECORDS (1985: Budapest). Proceedings…s.n.t. 206 p.
RICKS. Artel. La administracion de documentos como función archivistica. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE ARQUIVOS (8º: 1976: Washington) 1976, 29 p.
RHOADS. James B. La función de la gestión de documentos y archivos en los sistemas nacionales de información: un estudio del Ramp Paris: Unesco, 1983, vi, 48 p. (Unesco. PGI- 83/WS/21.

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Estratégia e Estrutura Organizacional

Juan Peixoto em 2 de Maio de 2008 @ 00:33

Estratégia e Estrutura Organizacional
01 de maio de 2008 às 19:24
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Por Arlindo Martins

ESTRATÉGIA

Seja qual for o caminho adotado pelas organizações, a estratégia para o alcance das melhorias necessárias ao atendimento a clientes se faz necessário para que a empresa saia do anonimato, esforçando-se na busca contínua de traçar projetos ambiciosos o bastante, determinando a adequação das atividades que podem contribuir para o bom desempenho, como inovações e implementações.
Em conformidade com Portes ( 1947, p. 1), “a estratégia competitiva é a busca de uma posição competitiva favorável em uma industria, a arena fundamental onde ocorre a concorrência. A estratégia competitiva visa a estabelecer uma posição lucrativa e sustentável contra as forças que determinam a concorrência”
Existe uma relação direta em problemas a serem resolvidos dentro das empresas e suas estratégias de serviços que precisam ser modificadas ou adaptadas, bem como reformular todo o programa estabelecido, para se manter sempre ativo na área de atuação empresarial, e isto se conquistam através das ações que a empresa assume e pratica para que o problema seja solucionado. Nem sempre os mesmos caminhos ou atitudes sejam suficientes para medir as estratégias necessárias, pois deve-se precaver destes imprevistos, sendo capazes de buscar inovações diante das necessidades de cada cliente, que por sua vez possuem anseios e necessidades diferentes.
Conforme Ron Zemke (1980, ed. Harbra),
Sem uma estratégia de serviço criativo e exclusivo, a empresa poderá ser apenas mais uma a mais no mercado. Para criar uma estratégia de serviços exclusiva, no entanto uma empresa deverá responder a duas perguntas:

- como o serviço pode criar uma grande diferença em relação à concorrência?
- qual realmente é o benefício que o cliente está buscando?

A partir das idéias expostas, é possível concluir que a estratégia é uma posição única, com base na quais as empresas fazem as coisas de forma diferente, depois de adaptar suas atividades – marketing, produção, serviços, logística – à sua proposição de valor específica focada no cliente, criando desta maneira sua exclusiva vantagem competitiva diferenciando-se e destacando positivamente diante de seus concorrentes.

ESTRUTURA ORGANIZACIONAL

Para o atendimento a clientes com excelência, a empresa dependerá de uma estrutura organizacional bem projetada e que dê sustentação a todas as ações a ela pertinentes, para que desta maneira, os funcionários tenham onde buscar as condições necessárias e o apoio correto para a excelência no atendimento aos clientes.
A partir de Rocha (1987, p.126), “a estrutura organizacional é um conjunto integrado de elementos suportes que formam as demais partes componentes de um organismo, sendo representada, em organização, pelo conjunto de órgãos, suas relações de interdependência e a via hierárquica existente”. A estrutura organizacional tem a sua importante participação no desenvolvimento e implementação do plano organizacional nas empresas, pois é delineada de acordo com os objetivos e estratégias estabelecidas, ou seja, a estrutura organizacional é uma ferramenta básica para alcançar as situações almejadas pela empresa.
Por meio da estrutura organizacional da empresa, pode-se considerar o desenvolvimento de algumas funções, conforme Oliveira (1998, p.81), “o planejamento da empresa, a direção da empresa e o controle da empresa”, onde são representados o estabelecimento dos objetivos e resultados esperados da empresa.
A estrutura organizacional nas empresas devem ser revistas e sempre voltadas para o mercado, se permitindo desta maneira conhecer e compreender tudo que os seus clientes em potencial consideram como valor a ser recebido quando procuram satisfazer suas necessidades, atingindo um atendimento que sobreponha às praticas já encontradas no mercado, e que na maioria das vezes desencantam as pessoas.
Na busca de um melhor desempenho organizacional, implica na definição de todas as habilidades que se fazem necessárias e essenciais que resultarão em fazer com que a empresa venha a destacar-se como um modelo que leva a se diferenciar, em desempenho, dos concorrentes no mercado.

Fonte: www.administradores.com.br

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