A utilização do acervo da biblioteca Escolar
Juan Peixoto em 17 de Maio de 2008 @ 17:03
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Universidade Federal de Goiás
Faculdade de Letras – Pós-graduação em Letras e Lingüística
Curso: Discurso e Ensino – Tópicos em Lingüística Aplicada
Professores: Dr. Agostinho Potenciano de Souza e Dra. Eliana Melo Machado Moraes
A utilização do acervo da biblioteca Escolar1
Sônia Maria Domingos Fernandes2
RESUMO: O objetivo deste trabalho é analisar o uso dos acervos da biblioteca escolar. Esta análise teórica mostrará a importância em estimular o interesse pelos livros, adquirir o hábito de leitura entre os estudantes, professores regente e dinamizadores de biblioteca e incentivar e sensibilizar a comunidade escolar no uso deste espaço para a importância de formar leitores críticos.
PALAVRAS-CHAVE: Bibliotecas escolares, reflexão, incentivo à leitura, livros e Cantinhos de Leitura
ABSTRACT: The aim this work is to analyze the use of the school library’s collection. This theoretical analyze will show the importance to stimulate interest a bait different readings and to acquire the habit of reading awing the students, teachers and drivers rulers hips of libraries in the incentive and awareness the community school the use of this space to the importance to for in critical readers.
KEY WORDS: school libraries, reflexion, incentive to reading, books and corns of the reading.
1. Introdução
Longe de constituir mero depósito de livros, a biblioteca escolar é um centro ativo de aprendizagem.
Nunca deve ser vista como mero apêndice das unidades escolares, mas como núcleo ligado ao pedagógico.
A Bibliotecário trabalha com os educadores e não apenas para eles ou deles isolados.
Integrada à comunidade escolar,
a biblioteca proporcionará a seu publico leitor
uma convivência harmoniosa com o mundo das idéias e da informação..
Graça Maria Fragoso
1 Trabalho de conclusão da disciplina Discurso e Ensino – Tópicos em Lingüística Aplicada, apresentado para avaliação.
2 Graduada em Letras e especialista em Língua Portuguesa pela Universidade Salgado de Oliveira. Professora da Secretaria Estadual de Educação de Goiás. Assessora da Superintendência de Ensino Fundamental. E-mail: sonia_domingos5@hotmail.com
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São muitas, mas invariavelmente distorcidas, as visões que se costuma ter de uma biblioteca. Ora é lugar sagrado, onde se guardam objetos também sagrados, para desfrute de alguns eleitos, ora, sob uma ótica menos romântica, é apenas uma instituição burocratizada, que serve para consulta e pesquisa, assim como para armazenar bolor, cupins e traças. Possivelmente, aqueles que a freqüentam assiduamente, ela constitui o local do encontro com o prazer de ler, conhecer, informar-se. O fato é que, quando se trata de Brasil e mais especificamente do Estado de Goiás, a maioria das pessoas desconhece o verdadeiro papel de uma biblioteca em suas vidas e, portanto, na vida da comunidade. Essa afirmação se aplica tanto aos usuários potenciais quanto àqueles que de um modo ou outro tem responsabilidade pelo seu funcionamento, como as escolas. Por inúmeras razões, as bibliotecas escolares brasileiras e goianas estão ainda longe de cumprir sua importantíssima função no sistema educacional. Poucas instituições dispõem dos recursos e da visão necessários (duas condições que nem sempre andam juntas…) para manter uma biblioteca digna desse nome.
Mas, será que a comunidade escolar tem sentido a falta de investimento na biblioteca da escola? Será que no cotidiano escolar os alunos têm sentido a falta da biblioteca como apoio às suas necessidades de informação? Como o professor vem utilizando a biblioteca da escola pública? Qual a relação existente entre a atuação do professor, e o uso e o não-uso que os alunos fazem da biblioteca escolar?
O presente estudo não tem como objetivo responder a esses questionamentos, pois todos eles tratam de problemas seculares e que se arrastam e esbarram numa cultura desavisada e em grande parte desinteressada das pessoas e comunidades envolvidas nesse processo. No entanto, podemos colocar em discussão e reflexão qual é o verdadeiro papel das bibliotecas escolares e das possíveis possibilidades para um bom funcionamento desses espaços privilegiados de aprendizagem.
Assim, a escolha dessa temática deve-se a um interesse pessoal/profissional pela questão da leitura e, em especial, como se dá a utilização da biblioteca no ambiente escolar. Tal estudo se constituiu em uma atividade inicial de pesquisa, cuja produção atenda aos requisitos de avaliação final da disciplina cima referida. A proposta deste estudo, portanto, é verificar como se dá a utilização das bibliotecas escolares no Estado de Goiás, bem como, contribuir para ações que visam reverter a situação em que ainda se encontram grande parte dessas bibliotecas.
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2. Fundamentação Teórica
Historicamente o acesso à informação no Brasil sempre foi definido pelo poder aquisitivo. Durante o período colonial (1500 a 1822), os jesuítas fizeram grandes esforços para facilitar o acesso à palavra escrita. Na verdade, foram esforços isolados, pois a educação e a cultura não eram prioridades dos segmentos dominantes do poder.
Logo após esse período, inúmeros governos provinciais tomaram a iniciativa de criar bibliotecas públicas que eram legalmente criadas por um decreto estadual. No entanto a falta de visão dos administradores era grande, pois geralmente não havia previsão da infra-estrutura necessária. Locais improvisados, acervo desatualizado e composto de doações, instalações precárias, carência de recursos humanos adequados, eram algumas das características dessas instituições chamadas bibliotecas. O custo da imagem dessas instituições provocou um retraimento do possível público usuário. A imagem passou a ser negativa e eram comuns as afirmações de que se tratava de um local de castigo ou para uma pequena elite composta de eruditos.
Segundo Chartier e Hébrard (2001), ao longo do século XX, mesmo quando a liberdade de expressão foi consagrada, os discursos sobre a leitura, veiculados pela Igreja Católica, pela escola republicana ou pelos bibliotecários, procuravam controlar o conteúdo das leituras feitas pelos novos leitores produzidos pela democratização da escolaridade.
No aspecto relativo à tradição cultural, o livro não foi considerado um instrumento valioso de disseminação cultural. As oportunidades para ampliar a metodologia do ensino da leitura eram raras, a falta de bibliotecas públicas associada ao custo do livro fazia com que a formação do leitor fosse sempre adiada. O papel representado pelos livros nas escolas e no sistema educacional foi sempre um papel secundário, pois não havia bibliotecas escolares, grande parte dos professores eram leigos e o que prevalecia sempre era a cópia a dicionários e enciclopédias.
Só nas duas últimas décadas do século passado que a história do livro se tornou um dos campos da pesquisa que mais se desenvolveu, sobretudo nas universidades européias e norte-americanas e, mais recentemente, na América Latina. Aumentaram-se as investigações. Foram lançados grandes empreendimentos de histórias nacionais do livro, construíram-se bibliografias e bases de dados, desenvolveram-se projetos interdisciplinares, organizaram-se colóquios, nasceram revistas e páginas na Internet, criaram-se centros de pesquisa.
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O aumento da pesquisa nessa área nos últimos anos é contemporâneo a um fenômeno ainda mais importante: a revolução que o computador e, agora, a Internet e outras redes informáticas estão trazendo aos mais diversos domínios das atividades relacionadas ao livro, afetando todo o seu circuito tradicional, do processo de escrita à edição, da venda à conservação em bibliotecas, da propriedade intelectual até os modos de ler. Nos trabalhos mais recentes sobre a leitura procura-se traçar um panorama das diversas maneiras de ler em cada época, identificando as principais mudanças ocorridas e construindo uma tipologia dos vários modelos de leitores e leituras no mundo ocidental, da Grécia arcaica à atualidade (Cavallo e Chartier, 2001).
A importância da leitura no processo educativo é inquestionável. Essa certeza une pais e professores na convicção de que ler é bom e que, portanto, a criança deve aprender a gostar de ler. Para isso se faz necessário o incentivo da utilização dos acervos das bibliotecas escolares já existentes. Segundo Abreu é preciso reconhecer que a pesquisa escolar é um processo complexo, que exige do aluno certas habilidades. Abreu entende que:
O estudante deve ter familiaridade com a biblioteca, com a localização dos materiais ali reunidos e com os meios existentes para se recuperar informação: catálogos, internet etc. Precisa saber escolher e consultar diferentes fontes de informação e, mais do que isso, precisa ser capaz de localizar e interpretar essa informação, usando mais de uma fonte, dominando técnicas para esquematizar, resumir e parafrasear. (ABREU 2002, p. 27).
Sabe-se que, de um lado, a busca de métodos mais eficientes para ensinar a ler tem sido uma constante nas pesquisas educacionais, propiciando avanços significativos na prática da alfabetização, enquanto, paralelamente, a escola procura trabalhar as competências de leitura, esperando que a criança encontre significados para o que lê. Será que depois de tantos esforços, tanto a escola quanto os programas governamentais de incentivo à leitura, não têm, de maneira geral, conseguido transformar a criança e o jovem que lêem em leitores críticos?
Segundo Orlandi:
Esse pedagogismo que aí se mostra desvinculado de seu contexto social as soluções para os problemas de ensino. Ou seja, decide-se que não se sabe ler e se propõem técnicas de leitura para que se dê conta, rapidamente, dessa dita incapacidade, generalizada, e que alguns até acreditam que seja inata, de que sofre o brasileiro (“brasileiro não lê”) (ORLANDI 1988, p. 30)
Nesse sentido, enxergar a criança, o adolescente e o adulto como sujeitos da cultura, capazes de criar e de reelaborar informações e experiências dentro do processo educativo
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promovido pela escola significa algo mais do que desenvolver habilidades de decifrar o código lingüístico e garantir o acesso ao livro e à informação.
O papel da biblioteca escolar nesse processo de formação do leitor crítico deve ser repensado. Um número significativo de pesquisas tem revelado o equívoco das políticas e das atividades de promoção de leitura que partem do princípio de que o importante é ler, não importa o quê. A biblioteca escolar pode, sim, ser o local onde se forma o leitor crítico, aquele que seguirá buscando ampliar suas experiências existenciais, um espaço de criação e de compartilhamento de experiências, um espaço de produção cultural em que crianças e jovens sejam criadoras e não apenas consumidoras de cultura.
É inegável a importância das bibliotecas na construção da cidadania. Elas armazenam o produto da ciência e da imaginação dos povos, sob a forma destes objetos culturais que chamamos livros, e funcionam, muitas vezes, como a única possibilidade de indivíduos, social e economicamente desfavorecidos, superarem suas limitações. A formação de nosso ficcionista maior, Machado de Assis, comprova isso. No espaço restrito de uma biblioteca o mundo inteiro fica ao alcance da mão, à disposição dos usuários. Em suas estantes, conhecimento, informação, lazer, evasão, entretenimento se oferecem democraticamente, sem restrições, taxas ou preconceitos.
A socióloga e antropóloga francesa, Michèle Petit, vai mais longe ao afirmar em sua obra Elogio à leitura: a construção de si mesmo, que a leitura, sobretudo quando feita nas bibliotecas escolares por jovens das classes mais desfavorecidas, pode ajudar a elaborar o pensamento e a dar uma liberdade maior de comportamento a esses jovens. Comportamento que está para além do destino que já lhes fora traçado. Pode ser também a recuperação da falta do capital cultural que lhes fora inicialmente negado.
3. AS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A BIBLIOTECA ESCOLAR
O Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE – criado em 1997, (Portaria n. 584, de 28/04/1997), em substituição a dois outros programas, também voltados para a dotação de acervos para bibliotecas escolares: o Programa Nacional Salas de Leitura (PNSL) e o Programa Nacional Biblioteca do Professor (PNBP). A distribuição de obras às bibliotecas escolares, nos
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anos de 1998, 1999 e 2000, tinha como objetivo receber e armazenar as obras doadas pelo MEC, levando-se em conta o número de matrículas de cada unidade escolar, independentemente de suas condições. Também não havia uma sistemática de acompanhamento pelo poder público das condições de acesso dos alunos ao material distribuído. Recorremos a Chartier para esclarecer o que muitas vezes acontecia nessas bibliotecas:
Talvez eu esteja fazendo uma caricatura, mas estas bibliotecas ficavam apenas entreabertas, empoeiradas; eram, afinal, depósito inertes. Por isso surgem as bibliotecas da sociedade Franklin, da Liga do Ensino, dos Amigos da Instrução Pública, que procuram, tanto pelos objetivos de sua abertura quanto pelos acervos oferecidos, cumprir a função de bibliotecas públicas, populares, abertas àqueles que não ousam ou não querem atravessar as portas da biblioteca municipal (CHARTIER 1998, p. 123).
Com o intuito de solucionar os problemas enfrentados nos programas anteriores (PNSL E PNBP), o MEC fez a opção por distribuir coleções de literatura diretamente aos alunos, a partir do PNBE – Programa Nacional de Bibliotecas Escolares / 2001, com o objetivo de possibilitar o acesso desses alunos e seus familiares a obras de qualidade, representativas da literatura. Essa alternativa reduziria, assim, os problemas de armazenamento das obras e de acesso dos alunos aos livros, uma vez que os alunos e seus familiares tinham a posse do material. Ao lado disso, a proposta pretendia aproximar uma parte da população considerada excluída do circuito cultural, na medida em que aproximava o leitor das práticas de leitura sociais, posto que, de posse das obras, esses leitores teriam acesso ao material independentemente de local e horário e poderiam retornar à leitura quantas vezes fossem necessárias, tal qual um leitor que freqüenta o universo literário.
Segundo Perrotti, essa política, no entanto, não se mostrou tão eficaz:
Seus resultados até o momento não conseguiram contribuir substancialmente para a superação dos graves problemas educacionais e sociais que estão na sua origem. Diferentes indicadores, nacionais e internacionais, que medem o desempenho de estudantes com a língua escrita, vêm, uns após outros, mostrando resultados extremamente insatisfatórios nesse aspecto, problema grave diante do qual os poderes públicos não podem ficar indiferentes e passivos. (Perrotti, 2005, p. 23)
A formação do aluno leitor é preocupação de todas as instâncias educacionais. O governo do Estado de Goiás, consciente do importante papel da escola como transformadora dessa sociedade, como agente de formação de cidadãos leitores, de jovens participativos e críticos, por meio da Secretaria Estadual de Educação, implementou uma política educacional realmente
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comprometida com a melhoria da qualidade do ensino público em Goiás. Buscando promover e disseminar o hábito da leitura, no ano de 2000, por meio do Programa Cantinho de Leitura, as escolas das redes estadual e municipal adquiriram um rico acervo de literatura infantil, propiciando aos alunos momentos prazerosos e enriquecedores da leitura literária, em sala de aula. Este programa atende as crianças do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental com a disponibilização de “cantinhos” de literatura infantil, com, no mínimo, 45 obras de qualidade estético-literária em todas as salas de aula da rede pública.
Abreu entende que:
É inquestionável a utilidade e a importância desse acervo de classe para desenvolver o gosto pela leitura. O que não pode ocorrer, entretanto, é a simples substituição da biblioteca por esse tipo de acervo. Os dois têm objetivos diversos e atendem a necessidades de aprendizagem diferentes . (ABREU 2002, p. 51).
Sabendo da importância do incentivo à leitura o Governo do Estado de Goiás criou o programa de Bibliotecas das Escolas Estaduais, para expansão do conhecimento letrado do aluno. Trata-se de um espaço coletivo que beneficia alunos e professores do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, propiciando-lhes condições efetivas de estudos, leituras e pesquisas em todos os campos de conhecimento, atendendo, ainda, às necessidades de atualização dos professores, com a disponibilização de obras didático-pedagógicas, privilegiando, assim, toda a educação básica do Estado.
Segundo Abreu:
A biblioteca não se confunde, portanto, com o acervo de classe. Esse tem uma finalidade especifica e deve continuar existindo, isto é, os livros devem estar sempre perto dos alunos a fim de se cumprir o objetivo de facilitar a aprendizagem da língua. O acervo de classe deve ser bem selecionado e variado e, nesse sentido, a biblioteca deve ser chamada a contribuir para manter o dinamismo que é inerente à coleção de materiais que vão dar suporte a atividades de aprendizagem ricas e diversificadas (ABREU 2002, p. 52).
Chartier (1998) articula algumas reflexões sobre a praxis da leitura no âmbito escolar. Quando questionado sobre o discurso segundo o qual as classes mais jovens se afastam da leitura, afirma que os adolescentes, mesmo os que não são considerados leitores, lêem coisas diferentes do que lhes é cobrado pelo cânone escolar. Chartier declara ainda:
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O problema não é tanto o de considerar como não-leituras estas leituras selvagens que se ligam a objetos escritos de fraca legitimidade cultural, mas é o de tentar apoiar-se sobre essas práticas incontroladas e disseminadas para conduzir esses leitores pela escola, mas também, sem dúvida, por múltiplas outras vias, a encontrar outras leituras (CHARTIER 1998, p.104).
Observa-se, na afirmação do autor acima citado, que a escola, espaço privilegiado do primeiro contato do aluno com o livro, ainda não está preparada e não aproveita essa oportunidade para conduzir a criança e o adolescente no caminho de múltiplas leituras, e principalmente da leitura literária, que os prepararia para o processo de formação do leitor pleno.
De acordo com Perrotti (1993), a questão da formação de leitores na escola abarca, basicamente, o acesso ao livro, a boas fontes de informação e à leitura, e implica na existência dentro da escola, de uma boa biblioteca que funcione de verdade.
Diante do que é colocado por Perrotti, questionamos: Será que a escola que pretende investir na leitura como ato verdadeiramente cultural pode ignorar a importância de uma biblioteca aberta, interativa, com espaço livre para a expressão genuína da criança e do jovem? Situação essa descrita por Silva:
A letargia de certas bibliotecas em promover a leitura causa-nos muito espanto. Isto porque num país de não-leitores todas as agências (incluindo principalmente a biblioteca) devem agir no sentido de fazer com que o hábito de leitura realmente seja instalado. As bibliotecas que se agrupam dentro desta categoria de “espera” somente contribui para com a alimentação da crise da leitura no território nacional (SILVA 1997, p.108)
A biblioteca deve ser, portanto, lugar para se entender e praticar a força espontânea que a leitura crítica proporciona, a leitura que inquieta, que faz pensar e reelaborar um autêntico processo de comunicação, cujo resultado é, sem dúvida, dos mais compensadores para as pessoas nele envolvidas, adultos e crianças, mediadores e leitores em formação.
4. Conclusão
O presente estudo nasceu da necessidade de um maior aprofundamento científico e teórico na busca da reflexão e possíveis soluções para a biblioteca escolar, uma vez que temos visitado centenas de escolas em todo o Estado de Goiás, e quando dessas visitas temos conhecido do funcionamento das bibliotecas de tais unidades. Onde deveria prestar serviços voltados para a educação continuada, fornecendo materiais para todos os assuntos e interesses, e incentivando o
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hábito da leitura o que vemos, na maioria das vezes é um depósito de livros didáticos, novos e usados, dinamizadores de bibliotecas que se contrapõem definitivamente a esse termo, e uma comunidade escolar alheia às possibilidades que esse espaço de aprendizado oferece.
Com base no que foi encontrado nesta pesquisa conclui-se que: a biblioteca é um recurso indispensável para o desenvolvimento do processo ensino aprendizagem e formação do educando/educador; a biblioteca deixa de prestar um grande auxilio nas atividades escolares, no enriquecimento cultural e na formação de cidadãos leitores com uma visão critica, quando ela não cumpre o seu verdadeiro papel de alargar as possibilidades e oportunidades aos seus ausentes freqüentadores; que a biblioteca escolar é o agente de transformação do ensino, na medida em que provoca mudanças pedagógicas na escola. Para que se atinja diretamente os alunos é necessário a aceitação e o desenvolvimento de confiança mútua entre os profissionais que atuam no processo de ensino-aprendizagem.
É necessário realizar atividades integradas com os professores da unidade escolar, pois esses são:
a) o maior elo motivador da leitura para crianças, após as influências familiares, na escola. Portanto, se o professor estiver consciente de seu papel e estimular a leitura estará sempre criando e incentivando o hábito de leitura e, conseqüentemente, o uso de bibliotecas escolares pelos alunos da Educação Básica;
b) exemplo no uso de bibliotecas e favorecem o estímulo aos alunos para utilizarem também a biblioteca;
c) o elo entre biblioteca, livros e alunos, atuando também na seleção de materiais bibliográficos mais adequados para a biblioteca escolar;
d) colaboradores em potencial, juntamente com os dinamizadores das bibliotecas escolares.
Enfim, é importante salientar que através das sessões de pesquisas e de feedback os professores podem revelar informações relevantes que possam confirmar, ou não, as afirmações teóricas e talvez direcionar para ação alternativa que possa efetivar a utilização das bibliotecas escolares. Esse fato sugere a necessidade de maiores investigações nesse contexto, com pesquisas de campo mais detalhadas para um aprofundamento das questões aqui discutidas. Estudo que pretendemos desenvolver no curso de mestrado.
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