Arquivo de Janeiro de 2008

Carta de Caminha atrai muitos brasileiros à Torre do Tombo

Juan Peixoto em 27 de Janeiro de 2008 @ 11:14

Em entrevista à Agência Lusa, a coordenadora do Gabinete de Relações Externas da Direção-Geral de Arquivos da Torre do Tombo, Maria de Lurdes Henriques adiantou que a carta do descobrimento do Brasil é muito solicitada pelos brasileiros, que acabam ficando um “bocadinho decepcionados” quando descobrem que não podem ver o documento.

“A carta não vai para a sala de leitura porque é um documento que está no cofre-forte e só é mostrado quando há exposições ou uma razão suficientemente forte que o justifique”, explicou, adiantando que os interessados podem consultar o documento por microfilme ou pela internet.

Nas comemorações dos 500 anos da chegada dos portugueses ao Brasil, a carta saiu da Torre do Tombo e esteve mais de um ano exposta em várias cidades brasileiras, o que preocupou os responsáveis pelo arquivo luso.”É uma peça que é sempre uma dor de cabeça quando sai para exposição”, já que o controle da umidade e da temperatura deve ser constante como condição fundamental para sua conservação, explicou.

Contatada pela Agência Lusa, a presidente da Assembléia-Geral da Casa do Brasil, Eliana Bibas, disse que a Torre do Tombo é uma referência para muitos pesquisadores que estudam a história do Brasil e viajam a Portugal para pesquisar o documento.Segundo Maria de Lurdes Henriques, mais de mil pesquisadores estrangeiros consultam anualmente o arquivo.

Além dos brasileiros, a instituição recebe japoneses, chineses, indianos, canadenses e europeus em geral.A Torre do Tombo guarda cerca de 100 quilômetros de documentos que, por seu valor histórico, constituem a memória do país.”Há determinadas obras que, por sua beleza ou significado, são autênticos tesouros nacionais e mundiais”, sublinhou.Entre esses tesouros estão o “Tratado de Tordesilhas”, assinado em 1494, e o “Corpo Cronológico” - uma coleção formada por Manuel da Maia que reúne 83 mil documentos em papel e pergaminho do século 12 ao 17.

A coleção “Leitura Nova de D.Manuel I” - formada por 61 livros manuscritos em pergaminho, 43 dos quais com iluminuras que retratam a época dos Descobrimentos - também é muito solicitada, assim como a “Bíblia dos Jerônimos”, da Escola Florentina, pela beleza de suas iluminuras, das quais se sobressaem as cores azul, vermelho, amarelo e o ouro.”Estas obras são muito procuradas por historiadores de arte portugueses e estrangeiros porque são obras de referência mundial”, disse Maria de Lurdes Henriques, que relata que o interesse também passa por modismos, como a recente “enchente” de interessados nos arquivos da ditadura portuguesa.

A cartografia também desperta grande interesse dos historiadores, como o Atlas de Fernão Vaz Dourado, que Maria de Lurdes classifica como “uma maravilha” porque o cartógrafo reproduziu, segundo sua visão da época, todos os continentes.

A arquivista citou ainda outras preciosidades guardadas no arquivo, como a coleção “imensa” de bulas, entre as quais a de canonização da rainha Santa Isabel, a carta do imperador da Etiópia escrita para D.Manuel, a coleção de tratados e um fragmento de uma cantiga do rei D. Dinis, descoberta por um pesquisador na Torre do Tombo quando servia de capa a um livro de cartório.

“O conjunto destas obras consideradas de grande preciosidade é de bem mais que mil” e estão guardadas no forte anti-sísmico da Torre do Tombo, vigiadas para assegurar sua conservação, revelou.O documento mais antigo guardado no edifício da Torre do Tombo - a carta de fundação de uma igreja nas proximidades da cidade do Porto - data de 27 de junho de 882.

A Torre guarda ainda um documento de 28 de julho de 1129, onde se registra, pela primeira vez, a palavra Portugal.

Fonte: Agência Lusa - 15/01/2008.

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