Fábrica de Piúma exporta pergaminho para países da Europa; faturamento chega a R$ 70 mil/mês
Juan Peixoto em 8 de Dezembro de 2007 @ 23:00
Fábrica de Piúma exporta pergaminho para países da Europa; faturamento chega a R$ 70 mil/mês
25/09/2007 19:14:33 - ValorES
DÉBORA MILKE
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A empresa capixaba trabalha basicamente com pele de cabra para a confecção de pergaminhos
Largamente utilizado na antiguidade ocidental, em especial na Idade Média, o pergaminho foi o segundo material usado como suporte para a escrita até a difusão da invenção chinesa do papel. Atualmente o pergaminho, nome dado a uma pele de animal, geralmente de cabra, carneiro, cordeiro ou ovelha, preparada para nela se escrever, é peça fundamental na confecção de diplomas. No Brasil há apenas três fábricas deste material, e uma delas está localizada em Piúma, município ao Sul do Estado, que faz parte do Pólo Anchieta, sétima microrregião do projeto A Força do Espírito Santo.
Há onze anos no mercado capixaba, a Exótica Pergaminho, localizada no Distrito Industrial de Piúma, surgiu por meio da união dos irmãos João José e Pedro Antônio Augusto. A idéia inicial era a de trabalhar com peles exóticas de peixes e aves, mas João conta como as dificuldades mudaram o rumo da empresa.
“A idéia inicial era produzir peles exóticas a partir de pele de peixes, aves, etc. para indústria de acessórios e calçados. O objetivo era esse. Mas isso era muito sonhador para a época. Havia tendência de mercado para isso, mas no Brasil demorou a se firmar. E também a idéia era de trabalhar com pele de peroá, mas esse peixe começou a sumir da região. Não tivemos retorno e aí surgiram alguns contatos de um pessoal que trabalhava com pergaminho em São Paulo, mas que enfrentavam dificuldades. Daí trouxemos essas pessoas para cá para difundir a idéia”, contou.
O processo de produção do pergaminho pode durar até 10 dias
A empresa capixaba trabalha basicamente com pele de cabra, que serve não somente para a confecção de pergaminho, mas também para encadernação, revestimentos de móveis, abajures, instrumentos de percussão e muito mais. Mas embora o leque de atividades que um curtume pode atingir seja muito amplo, a principal matéria-prima, pele de animais, é trazida do Nordeste, já que o Espírito Santo não tem produção em escala de mercado.
“A empresa se sustenta pelo pergaminho. No básico, para a impressão de diplomas, é usada a pele de cabra, mas o pergaminho pode ser feito de qualquer pele, seja de bezerro, vitelo ou carneiro. Por mês compramos de 2 a 2,5 mil peles, mas nem tudo que a gente compra vira pergaminho, pois pode ter defeitos”, disse.
Doze funcionários, faturamento mensal de até R$ 70 mil. Quando tudo já parecia caminhar bem, outro susto atingiu o mercado de pergaminhos e, conseqüentemente, a produção da empresa capixaba. João Augusto explica que houve uma mudança na legislação de São Paulo, a qual ficou facultativa aos alunos de faculdades particulares a escolha por diplomas feitos com pergaminho.
“Nosso mercado já foi melhor. Isso tem a ver com São Paulo, com uma aprovação de uma mudança na legislação. Antes as faculdades particulares tinham acordos com gráficas e mandavam fazer tudo [os diplomas] de pergaminho. Depois da lei, as particulares tinham que consultar o aluno se ele queria de pergaminho. Isso começou no final do ano passado e demoramos a nos acostumar. Mas agora voltamos a recuperar um pouquinho o mercado”, explicou.
Cerca de duas mil peles são trazidas mensalmente do Nordeste para a fábrica capixaba
Agora a empresa que se sustenta com o pergaminho quer abrir o foco. João Augusto e o irmão vão investir também em produtos semi-acabados de couro de cabra e carneiro para serem vendidos à indústria de acessórios e calçados. Da produção de pergaminho, 90% vai para o mercado paulista. Os demais 10% se dividem entre o mercado de Curitiba e exportações para Alemanha, Inglaterra e Holanda.
Fonte: Jornal Valor
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